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Germanwings. "Por amor de Deus, abre a porta. Abre a maldita porta!"

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Buscas na zona onde o Airbus A320 da Germanwings de despenhou, nos Alpes franceses

Anne-Christine Poujoulat / AFP / Getty Images

Terão sido estas as últimas palavras que se ouvem na gravação retirada da caixa negra, proferidas pelo comandante do voo da Germanwings, do lado de fora do cockpit. O conteúdo da gravação foi revelado este domingo pelo jornal alemão "Bild".

Eram 10h27 (menos uma em Lisboa) da manhã da última terça-feira, quando o copiloto Andreas Lubitz diz ao comandante do voo 4U-9525 da Germanwings, que fazia a ligação Düsseldorf-Barcelona, que podia deixar a cabine de pilotagem para ir à casa de banho. "Já podes sair", indica o copiloto alemão de 27 anos, Andreas G. Lubitz. O conteúdo da gravação da caixa foi este domingo revelado pelo jornal alemão "Bild", que teve acesso a este.  

Dois minutos após a saída do comandante Patrick Sondheimer, o avião começou a diminuir a sua altitude de 38 mil para 6.800 pés (isto é, de 11.500 para 2.100 metros). Seria às 10h32 (9h32 em Lisboa) que os controladores aéreos tentariam pôr-se em contacto com o avião. Não obtiveram, no entanto, nenhuma resposta. É nesse momento que se escuta pancadas na porta, realizadas pelo capitão. Provavelmente com consciência de que o avião estava a diminuir altitude, tenta entrar no cockpit e grita: "Por amor de Deus, abre a porta!" 

Minutos depois (10h35 hora local, menos uma em Lisboa) escuta-se um ruído forte "metálico" contra a porta do cockpit, que não ficou determinado. O jornal alemão, citado pelo espanhol "La Vanguardia", aponta para a possibilidade de o comandante tentar dar machadadas na porta com algo metálico. Um minuto depois o comandante grita: "Abre a maldita porta!" Depois disso, é o silêncio, escutando-se apenas a respiração de Andreas, que as autoridades francesas definiram como "calma". 

Seria às 10h40 (9h40 em Lisboa) que o avião se despenharia contra a montanha. Segundo as investigações, os passageiros só se aperceberiam do sucedido momentos antes do impacto, "altura em que se escutam gritos na gravação".

Sexto dia de investigações

Entretanto, prosseguem as buscas no local do acidente, nos Alpes franceses. No entanto, o "La Vanguardia" refere uma redução da frequência dos voos de helicóptero em direção ao lugar onde o avião se despenhou.

Cerca de 200 investigadores continuam no terreno à procura de respostas para a queda do avião que provocou a morte de 150 pessoas. 

Este sábado, notícias sobre Andreas Lubitz vieram acentuar ainda mais as suspeitas sobre a intencionalidade do copiloto no desastre do Airbus A320 da Germanwings. Depois de vários jornais terem noticiado, ao longo da semana, que Andreas estaria de baixa por problemas psicológicos (não confirmados ao Expresso pelo Hospital de Duüsseldorf), a sua namorada revelou, em entrevista ao jornal alemão "Bild", que Andreas estaria a atravessar uma crise emocional com o fim do relacionamento.  

Ainda ontem o "New York Times" noticiou que Andreas estaria a receber tratamento a um problema de visão, mais ainda não se confirma se este poderá ser um problema psicossomático.