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Genocídio. A palavra usada pelo Papa Francisco para classificar o massacre arménio

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Andreas Solaro / AFP / Getty Images

O papa Francisco utilizou, este domingo, a palavra "genocídio" para descrever o massacre arménio de há 100 anos, pelas forças do Império Otomano. A reação da Turquia não se fez esperar, contestando as suas afirmações.  

"No século passado, a nossa família humana passou por três tragédias sem precedentes. A primeira, que foi largamente considerada como 'o primeiro genocídio do século XX', atingiu o povo arménio". Foram estas as declarações do papa Francisco, este domingo, sobre o massacre dos arménios pelas forças do Império Otomano durante a Primeira Guerra Mundial. O termo "genocídio", que causou polémica na Turquia, já tinha sido referido num documento assinado em 2001 pelo papa João Paulo II e o patriarca arménio.  

Durante a celebração na basílica de São Pedro, em Roma, em memória dos arménios massacrados a partir de 1915, o Papa acrescentou que "ocultar ou negar o mal é como permitir que uma ferida continue a sangrar sem a tratar" e comparou este massacre a outros que foram praticados ao longo da história. "Outras duas [tragédias humanas] foram praticadas pela nazismo e o estalinismo. E, mais recentemente, outros extermínios em massa, como no Camboja, Ruanda, Burundi ou Bósnia". A missa foi presidida juntamente com o patriarca arménio e contou com a presença do Presidente da Arménia, Serzh Sargsyan. 

As declarações provocaram uma reação imediata por parte da Turquia, que considerou as declarações de Bergoglio "infundadas" e "longe da realidade histórica". "A declaração do papa, que está longe da realidade jurídica e histórica, não pode ser aceite", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Mevlut Cavusoglu. 

Mas a utilização desta palavra pelo papa não foi ao acaso. "O papa estava perfeitamente consciente que, ao utilizar a palavra genocídio, iria ofender a Turquia, que considera o número de mortes de arménios durante o final do Império Otomano exagerado e continua a negar a extensão do massacre", afirmou o jornalista da BBC, David Willey, a partir de Roma.   

Em 2014, Recep Tayyip Erdogan, o primeiro-ministro da Turquia, ofereceu pela primeira vez condolências aos descendentes dos arménios que perderam a vida - sublinhando, no entanto, que não era admissível que a Arménia transformasse a questão "num assunto de conflito político". 

A Arménia defende que cerca de 1,5 milhões de arménios foram mortos em 1915 pelos turcos otomanos, número que é contestado por Ancara, que sublinha que muitas das mortes são o resultado dos combates, que tiraram também a vida a muitos turcos.