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Fotógrafo americano quer registar mudanças na linha do horizonte. A foto só vai estar pronta em 3015

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Jonathon Keats, filósofo e investigador. E também o fotógrafo que instalou uma câmara fotográfica num museu do Arizona para tirar uma foto que só estará pronta em 3015

John MacDougall-AFP / GETTY IMAGES

Jonathon Keats tem um sonho: quer registar as mudanças que a linha do horizonte de Tempe, uma cidade do Arizona, vai ter nos próximos mil anos. A máquina fotográfica desta aventura começou a registar imagens esta sexta-feira.

O investigador Jonathon Keats iniciou uma tarefa que só estará concluída daqui a mil anos. A ideia parecerá um pouco disparatada, mas, muitas vezes, estes projetos de longo prazo revelam-se determinantes para o avanço da ciência. Nem Keats, nem os filhos ou netos de Keats vão estar vivos quando a fotografia que ele começou a tirar a partir do 3º andar do Museu Estatal e Universitário de Arte do Arizona, estiver concluída.

Keats acredita que alguém verá a sua obra em 3015. E que esta, provavelmente, vai ser batizada com o nome de 'Jonathon picture's'. "A fotografia não só mostra a linha do horizonte, como também regista a evolução que [a cidade] sofre ao longo do tempo", referiu, citado pela revista "PetaPixel".

'Lente' protegida a ouro

A câmara que vai registar estas mudanças é uma máquina sem lente na verdade. Está protegida por uma placa de 24 quilates de ouro, com um orifício que permite a entrada de luz, e está capsulada por uma caixa de metal, a pinhole. Utiliza uma tela a óleo ao invés da tradicional película de fotografia.

Ao longo do tempo, a cor da fotografia vai esvanecer-se na área em que a luz entra pelo orifício da caixa de metal, criando assim uma imagem da linha do horizonte com as cores vermelho e branco: "Por exemplo, casa antigas que posteriormente vão ser demolidas daqui a uns séculos, vão ser vistas como se fossem fantasmas na imagem." 

A revista "Slate" diz que esta experiência termina na primavera de 3015. Se os desejos de Jonathon forem cumpridos, o Museu onde está instalada a máquina, fará uma exposição para assinalar o fim da experiência que estará um mês em exibição. 

Dúvidas

Algumas pessoas colocam a hipótese de a câmara não aguentar mil anos, mas Jonathon Keats tem uma opinião diferente. "Aprendi tudo o que pude sobre Arqueologia e Conservação de Arte para construir a máquina. A câmara é feita de uma matéria resistente. Além disso, está dentro de uma cápsula que evita que a câmara se deteriore com o tempo, até porque o ouro não corrói", disse à "Slate".

Em relação à qualidade da imagem, o fotógrafo não garante que esteja perfeita e até "percetível" quando a câmara for aberta em 3015. Mas mantém-se otimista e acredita que só o facto de ter arriscado, valeu a pena. Sabe que estará morto quando o projeto terminar, mas não "se arrepende". É "interessante estar aqui a assistir ao comportamento de pessoas que sabem que vão ser vistas por pessoas que ainda não nasceram".

A ideia é ambiciosa, mas Keats quer ir mais além. Em abril deste ano, Keats, filósofo, artista, e fotógrafo vai instalar uma outra câmara no Museu de Arte de Massachusetts. O propósito desta fotografia é o de "captar o impacto das mudanças climáticas num habitat natural".