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Foi o sexo ou a marijuana? Diretora da agência antidroga dos EUA demite-se

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Quando foi questionada por congressistas na semana passada, Michele Leonhart fez constar que se tinha sentido “armadilhada”

James Lawler Duggan/Reuters

O motivo formal da demissão é um escândalo com funcionários, mas consta que a verdadeira razão para o governo norte-americano ter afastado Michele Leonhart é outra.

Luís M. Faria

Jornalista

Foi o sexo ou a droga que lhe arruinou a carreira? É uma pergunta legítima no caso de Michele Leonhart, diretora da Drug Enforcement Administration (DEA), a agência antidroga do governo norte-americano. Não que a própria Leonhart seja acusada de atividades incorretas em qualquer das duas áreas referidas. Mas funcionários ao seu serviço foram-no e ela castigou-os com penas exíguas - entre dois e dez dias de suspensão. O Congresso e o Presidente Obama não perdoaram e a sua demissão foi anunciada esta terça-feira.



Os comportamentos em causa aconteceram na Colômbia, envolvendo festas de carácter sexual, com prostitutas, onde agentes da DEA participaram na companhia de traficantes. Além de o recurso ao comércio sexual ser estritamente proibido a quem trabalha nessa área (seja agente, advogado ou o que for, esclareceu Eric Holder, o attorney-general, ou ministro da Justiça), houve utilização de dinheiro público e espaços alugados pelo governo dos EUA. Leonhart garante que não tinha poderes para demitir os agentes implicados.



Na semana passada, ela fora questionada com ferocidade sobre o assunto por congressistas, tanto democratas como republicanos. Na altura, fez constar que se sentiu "armadilhada". A sugestão é que os verdadeiros motivos do governo, e em especial do Presidente, seriam a posição dela quanto à legalização da marijuana, que Obama apoia.

A ainda diretora da DEA é uma veemente opositora e descreve todas as drogas ilegais como igualmente más. Como parece que frequentemente criticava o Presidente em reuniões de trabalho com polícias e procuradores, os seus dias estariam contados.