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Internacional

FMI "salva" a economia ucraniana com 16,5 mil milhões de euros

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Refugiados de guerra ucranianos almoçam numa escola ucraniana em Mariupol.

SERGEY VAGANOV/EPA

A perspetiva da Ucrânia ir à falência afasta-se: FMI anuncia ajuda de 16,5 mil milhões de euros, e os EUA do seu lado prometem novas sanções à Rússia e 70 milhões em material não "letal". Um país onde os preços são de "gente grande" e os ordenados de 40 euros não conhecia tempos tão negros desde a Segunda Guerra Mundial.

A Ucrânia recebeu esta quarta-feira uma importante ajuda da comunidade internacional: de um lado o Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou definitivamente o pacote de assistência de cerca de 16,5 mil milhões de euros, a desembolsar durante os próximos quatro anos. Do outro, os Estados Unidos da América, que anunciaram uma ajuda de 70 milhões de euros em material não "letal", a juntar às novas sanções contra o Banco Comercial da Rússia e 14 indivíduos, entre os quais Mykola Azarov, primeiro-ministro do Governo do deposto Viktor Ianukovicth.

O acordo com o FMI é uma ajuda à imediata estabilização da economia ucraniana, que vai permitir estabelecer um profundo e amplo programa de reformas, entre as quais subidas de tarifas energéticas, reestruturações de bancos e medidas de combate à corrupção.

"As autoridades ucranianas continuam a demonstrar um grande empenho nas reformas", assegura Christine Lagarde, a diretora do FMI, notando que o país tem mantido uma forte disciplina orçamental "num contexto muito difícil".

Guerra custa sete milhões de euros por dia 

O país necessita urgentemente de recompor as suas reservas cambiais, que atualmente estão quase a "seco" - com menos de seis milhões de euros -, valor suficiente para um único mês de importações. O problema junta-se à dívida pública, que corresponde a 72% do PIB ucraniano, e à queda do valor da moeda nacional (hrivna), que perdeu 66% face ao dólar, 40% dos quais só no mês de fevereiro.

O conflito contra os separatistas pró-russos, que dura há quase um ano, é uma autentica sangria dos recursos do país e um golpe direto à sua capacidade industrial. A Ucrânia perdeu o controlo dos seus pulmões industriais nas fábricas do leste do país, que representavam 15% do PIB, e um quarto das suas exportações. Nas estimativas do francês "Le Monde", a guerra, para além de vidas, custa à Ucrânia cerca de oito milhões de dólares por dia (7,5 milhões de euros).

A tentar salvar a economia do país, a ministra das Finanças Natalie Jaresko pretende abrir discussões com os credores para reagendar o pagamento de parte da dívida, mas as negociações preveem-se muito difíceis com a Rússia, um dos maiores credores de Kiev.

"Olhar a realidade nos olhos" 

As ajudas internacionais a par das reformas governamentais têm em vista a melhoria económica do país. Mas a população poderá sofrer ainda mais com os impactos negativos da austeridade. O ordenado mínimo na Ucrânia é cerca de 40 euros mensais, e os preços dos alimentos não param de aumentar: o preço de grãos e vegetais subiu 91% de janeiro do ano passado, relativamente ao período homólogo em 2015.

O Presidente ucraniano Petro Poroshenko mostou-se preocupado e apelou esta semana à nação para "olhar a realidade nos olhos". "Enquanto houver guerra, não haverá investimento na Ucrânia", alertou Poroshenko, explicando que o país não conhecia um ano tão difícil desde a época da Segunda Guerra Mundial.