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Filha de Nemtsov considera Putin "politicamente responsável" pela morte do pai

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"Eu não tenho medo e regressarei à Rússia já no próximo dia 15 de março. Vou continuar a dizer que eles mataram o meu pai", disse a jornalista

FOTO Paul Zinken/EPA

Zhanna Nemtsova defende que o pai era o "mais poderoso político da oposição "na Rússia, que apesar das ameaças tentou lutar contra as injustiças até ao fim. E promete regressar em breve a Moscovo.

Para Zhanna Nemtsova, a filha de Boris Nemtsov, antigo vice-primeiro-ministro russo, que foi abatido no passado dia 28 de fevereiro quando caminhava com uma mulher numa ponte perto do Kremlin, Vladimir Putin é "politicamente responsável" pela morte do pai.

"Não tenho provas, mas [o Presidente russo] Putin é politicamente responsável pelo assassinato do meu pai. Ele era o mais poderoso líder da oposição na Rússia", afirmou Zhanna Nemtsova numa entrevista à BBC.

Segundo a jornalista económica, o pai era um "lutador" que tentou resistir até ao fim às incursões do regime de Moscovo, apesar de sucessivos problemas durante os últimos 10 anos.

"Depois da sua morte a oposição ficou decapitada e toda a gente assustada. O povo e os políticos...ambos", acrescentou.

Zhanna Nemtsova confirmou que o pai estava a juntar provas que corroboravam  o envolvimento russo no conflito no leste da Ucrânia - tendo inclusivamente discutido essa questão com ela -, o que constituiu uma nova ameaça.



"Oficialmente, tecnicamente, as tropas russas não estão envolvidos no conflito militar na Ucrânia, mas o que eles realmente fazem é que esses soldados demitir-se do exército e, em seguida, eles vão lá por fim", sublinhou.





"É absolutamente impossível ficar em silêncio"


Zhanna Nemtsova garantiu ainda não ter receio das suas acusações, prometendo regressar a Moscovo em breve. "Penso que depois de ter expressado a minha opinião sobre o assassinato penso que as autoridades da Rússia poderão considerar-me uma ativista política. Mas eu não tenho medo e regressarei à Rússia já no próximo dia 15 de março. Vou continuar a dizer que eles mataram o meu pai. Não posso simplesmente ficar em silêncio. É absolutamente impossível", disse.

No passado dia 28 de fevereiro, Boris Nemtsov,  antigo vice-primeiro ministro durante a presidência de Boris Ieltsin, na década de 1990, e um dos mais fortes opositores de Putin, estava a percorrer o centro de Moscovo para divulgar a marcha contra a guerra na Ucrânia, que estava agendada para o domingo seguinte, quando foi atingido com múltiplas balas nas costas, a partir de um carro branco. O autor do crime conseguiu fugir do local.

Entretanto, já foi aberto um inquérito para apurar os responsáveis pelo crime. Cinco pessoas foram detidas e duas delas foram acusadas do assassinato de Boris Nemtsov: Anzor Gubashev e Zaur Dadáev, segundo anunciou o chefe do Serviço Federal de Segurança (FSB), Alexandr Bórtnikov.

O ex-agente das forças especiais chechenas, Zaur Dadáev, confessou o seu envolvimento no crime. No entanto, os partidos da oposição russa estão céticos e dizem temer que os "verdadeiros responsáveis"  fiquem em liberdade.

"O assassínio de Boris Nemtsov tem os sinais de uma morte encomendada. É uma vingança por ele ter combatido, de forma consistente, anos após anos, para que a Rússia fosse um país livre e democrático", declarou Dmitri Peskov, porta-voz do partido de Boris Nemtsov.