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FARC declaram cessar-fogo unilateral na Colômbia

Cerca de 220 mil pessoas já morreram em meio século de conflito na Colômbia

Reuters

O anúncio foi feito em Havana, onde decorrem as negociações de paz entre a guerrilha e o Governo colombiano desde 2012.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) anunciaram na quarta-feira um cessar-fogo unilateral por tempo indeterminado, uma situação inédita no país uma vez que até à data as tréguas eram provisórias e restritas a períodos como eleições presidenciais ou Natal.

"Resolvemos declarar um cessar-fogo unilateral, pondo fim às hostilidades por tempo indeterminado, que deverá transformar-se em armistício definitivo", disse em comunicado a delegação das FARC, acrescentando que a trégua entrará em vigor a partir da meia-noite da próxima segunda-feira, dia 20 de dezembro.

O anúncio foi feito na capital cubana, onde decorrem as negociações entre a guerrilha e o Governo desde 2012.

As FARC advertem, contudo, que o cessar-fogo será suspenso caso as suas estruturas guerrilheiras sejam "objeto de ataques por parte das forças públicas".

O Presidente colombiano, Juan Manuel Santos, que tem sempre dito esperar que 2015 seja o ano de um acordo de paz, recusou porém suspender a ação militar, sublinhando que os rebeldes poderão aproveitar a trégua para o rearmamento ou reagrupamento. Os guerrilheiros das FARC tinham proposto um acordo bilateral, que foi rejeitado pelo Governo de Bogotá.

Fernando Velasco, deputado do partido Liberal, que integra a coligação governamental, defendeu que o gesto das FARC demonstra que o processo de paz na Colômbia está a "caminhar num passo firme". 

Oposição fala em "presente envenenado"

Já o deputado Alfredo Rangel, do partido da oposição Centro Democrático, em entrevista ao diário "El Mundo", considerou a ação como um "presente envenenado", ou seja, uma manobra para pressionar o  Governo a aceitar o cessar-fogo bilateral pretendido pelas FARC.

Segundo o jornal "El Colombiano", trata-se da quinta trégua unilateral das FARC: a primeira ocorreu de 20 de novembro de 2012 a 20 de janeiro de 2013; a segunda entre 15 de dezembro e 15 de janeiro deste ano e a terceira e quarta nas eleições do primeiro semestre.

As conversações de paz foram interrompidas durante 15 dias em novembro, depois do grupo armado ter sequestrado o general Rubén Darío Alzate e outras duas pessoas que o acompanhavam num passeio, o cabo Jorge Rodríguez e a advogada Gloria Urrego.

O diálogo só foi retomado depois da libertação de Rubén Darío Alzate, os seus dois acompanhantes e mais dois reféns, após confrontos na cidade de Arouca, junto à fronteira com a Venezuela.

Cerca de 220 mil pessoas já morreram e 27 mil pessoas foram sequestradas por grupos armados em cerca de 50 anos de conflito na Colômbia, segundo dados oficiais.