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Facebook rastreia ilegalmente os utilizadores, mesmo os que já não têm conta

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Facebook admite que envia cookies às pessoas que não têm conta

FOTO Josh Edelson/AFP/Getty Images

Um estudo revela que a rede social utiliza cookies para rastrear a atividade em linha de todas as pessoas que têm conta no Facebook ou que visitem alguma página no domínio do facebook.com. Estas práticas são ilegais e não respeitam as leis europeias.

A gigante de Mark Zuckerberg foi alvo de um estudo que conclui que a rede social segue as atividades em linha de todos os seus utilizadores, até mesmo dos que já desativaram a sua conta ou que nunca a tiveram. Esta é uma política que vai contra as leis europeias e que viola a privacidade dos utilizadores da internet, que passam a ser rastreados pela rede social.

Segundo o diário britânico "The Guardian" avançou com a notícia de que os investigadores envolvidos neste estudo encontraram provas de que a rede social instala cookies nos computadores dos utilizadores, permitindo, desta forma, que o Facebook os possa seguir, mesmos depois de abandonarem o website que visitaram ou terem apagado as suas contas no Facebook. Algo que era desconhecido para os seus utilizadores. Pelo menos, até agora.

Qual o objetivo deste rastreamento? O estudo, realizado por investigadores do Departamento de Segurança nos computadores e Criptografia Industrial (Cosic) juntamente com o Departamento de Informação, Comunicação e Media (Smit) da Universidade de Bruxelas, indica que passa por recolher informações com o intuito de mostrar aos utilizadores publicidade que possam ser do interesse dos mesmos. Assim, com este rastreamento através dos cookies, a rede social pode compilar dados sobre os gostos dos utilizadores da Web.

Como funciona 

O estudo clarifica que o Facebook utiliza estes cookies nos computadores caso os utilizadores visitem alguma página no domínio do facebook.com, incluindo páginas da rede social que possam ser visualizadas sem conta e ainda páginas parceiras, como o Myspace.com ou a MTV. E, a partir daí, o Facebook passa a saber sempre que um utilizador entra num site com um plug-in social da gigante - como botões "gosto" ou ainda a possibilidade de fazer login - mesmo que não os utilize. Não significa, contudo, que seja permitido.

Esta política utilizada pelo Facebook vai contra as leis europeias que estipulam que os utilizadores tenham o direito de saber quando os websites que visitam utilizam cookies, logo no primeiro acesso às mesmas. 

Para as pessoas que não estão a ser controladas pelo Facebook, Günes Acar, um dos autores da investigação, explica que a rede social "coloca um cookie a longo prazo, que pode ser utilizado para as monitorizar durante dois anos". 

Para os utilizadores que querem proteger a sua privacidade, o estudo deixa algumas soluções para deixarem de ser vigiados pelo Facebook. Recomendam algumas extensões como o Privacy Badger, o Disconnect ou ainda o Ghostery, que têm o objetivo de bloquear o registo da atividade online que é feita através da utilização de cookies. 

Um porta-voz da gigante de Mark Zuckerberg já falou sobre este estudo e admitiu estar "cheio de imprecisões": "Os autores nunca nos contactaram para clarificar os pressupostos em que este relatório se baseia. Nem nos pediram para tecer qualquer comentário sobre o mesmo antes de se tornar público".