Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Ex-primeiro-ministro israelita Ehud Olmert condenado por corrupção

  • 333

O antigo governante, que foi crucial para a retirada israelita da Faixa de Gaza, diz-se inocente e promete recorrer. A sentença será conhecida a partir de 5 de maio.

Ehud Olmert recebia envelopes de dinheiro de um empresário americano, diz a justiça israelita. Por esse motivo, um tribunal de Jerusalém condenou hoje o antigo primeiro-ministro por corrupção. A sentença não será conhecida antes de 5 de maio.

Hoje com 69 anos, Olmert já foi condenado a seis anos de prisão noutro caso, por ter aceite, segundo a justiça, subornos no valor de 129 mil euros quando era presidente da Câmara Municipal de Jerusalém (1993-2003). O dinheiro veio de promotores imobiliários envolvidos no enorme complexo residencial Terra Santa.

Já o processo cuja conclusão se conheceu hoje foi a repetição de outro, de 2012, no qual Olmert foi absolvido das acusações de fraude e corrupção. Condenado nessa ocasião por abuso de confiança, foi multado em cerca de 19 mil euros e teve ainda uma pena de cadeia suspensa.

Entretanto, porém, a investigação do caso de suborno trouxe a lume novos factos que fizeram repetir o julgamento. Uma antiga secretária de Olmert, também implicada no processo, entregou à justiça gravações incriminadoras, recebendo dessa forma uma pena reduzida.

Nesse registo, Olmert fala de dezenas de milhares de dólares que terá recebido do empresário Morris Talanski, no período em que foi ministro do Comércio e da Indústria, no início dos anos 2000, no Executivo de Ariel Sharon. O ex-primeiro-ministro diz-se inocente de todas as acusações, que considera serem "uma caça às bruxas brutal e implacável". E promete recorrer da condenação hoje proferida.

Da retirada de Gaza às suspeitas de corrupção

Olmert assumiu o Governo em 2006, pelo partido centrista Kadima, quando Sharon, entrou em coma. Venceu as subsequentes eleições legislativas mas demitiu-se em 2008, quando a polícia afirmou haver provas para o incriminar. Sucedeu-lhe, após eleições, o atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Fiel discípulo de Sharon, Olmert esteve envolvido num dos gestos mais emblemáticos do mentor, a retirada unilateral de Israel da Faixa de Gaza. Depois, não conseguiu acordo com os palestinianos em relação à Cisjordânia. No mesmo ano houve a guerra com o Hezbollah que matou 1200 pessoas no Líbano (na maioria civis) e 160 em Israel (na maioria militares).

O homem hoje condenado foi dos governantes do Estado hebraico que mais concessões fizeram aos palestinianos, tendo-se reunido várias vezes com o líder da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas. Terá chegado a aceitar retirar as tropas israelitas de 94% dos territórios ocupados da Cisjordânia e permitir que Jerusalém fosse a capital partilhada dos dois Estados. Mas esteve também por detrás da guerra de Israel contra Gaza no final de 2008/início de 2009, que deitou por terra, pela enésima vez, a paz naquele ponto do Médio Oriente.