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Ex-ministro das Finanças grego condenado a um ano de prisão (suspensa)

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George Papaconstantinou (ao centro) ouve a pena aplicada esta quarta-feira em Atenas por um tribunal especial

LOUISA GOULIAMAKI/AFP/Getty Images

George Papaconstantinou terá removido os nomes de três familiares da chamada 'lista Lagarde', onde constavam os nomes de pessoas que fugiam ao fisco.

Luís M. Faria

Jornalista

Um ex-ministro das Finanças grego, George Papaconstantinou, foi condenado esta manhã a um ano de prisão, com pena suspensa, por ter removido os nomes de familiares da "lista Lagarde" quando estava no poder. A lista, assim chamada por lhe ter sido entregue por Christine Lagarde, então ministra das Finanças francesa (e atual diretora da FMI), continha os nomes de mais de 2000 cidadãos gregos que tinham conta na filial suíça do banco HSBC.



O banco sediado em Londres já veio a público, entretanto, reconhecer que esses clientes "poderão não ter cumprido inteiramente as obrigações fiscais aplicáveis".



Papaconstantinou foi julgado num tribunal especial composto por 13 juízes - o mesmo que antes julgou o antigo primeiro-ministro Andreas Papandreous, em 1991. Segundo a acusação, o antigo tutelar da pasta das Finanças gregas, após receber a lista das mãos de Lagarde, terá constatado que nela surgiam os nomes de três familiares, um engenheiro e dois advogados. Ordenou então que a lista fosse transferida do CD onde se encontrava para uma pen USB. Foi durante essa transferência que os três nomes em causa desapareceram misteriosamente.



Embora o tribunal não o tenha condenado pelas acusações mais graves, que podiam ter implicado ficar na cadeia até ao fim da vida, Papaconstantinou viu reconhecido que tinha de facto sido ele a alterar a lista, ao contrário do que a sua defesa afirmava. Os juízes salvaram-no da cadeia mas não do dano para a sua reputação. Ele alegava que as acusações eram uma retaliação por ter sido ministro das Finanças em 2009, na altura em que foi lançado o programa de austeridade que ainda hoje aflige o país.



A "lista Lagarde" foi originalmente roubada por um empregado do HSBC. Mais tarde, chegou ao conhecimento da polícia.