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Internacional

Europa com os olhos na Grécia

Discussão do orçamento para 2015 no Parlamento grego

Orestis Panagiotou/EPA

Os deputados gregos tentarão, esta quarta-feira, eleger o próximo chefe de Estado, num processo que poderá arrastar-se até ao fim do mês. Se falhar, haverá legislativas e quem lidera as sondagens é o Syriza, da esquerda radical.

Margarida Mota

Jornalista

O Parlamento grego tenta esta quarta-feira eleger o próximo Presidente da República. O cargo é largamente cerimonial, mas esta eleição está transformada numa prova de fogo para o Governo liderado por Antonis Samaras (centro-direita), que propôs à eleição Stavros Dimas, ex-comissário da União Europeia e vice-presidente da Nova Democracia, de Samaras.

A coligação no Governo - formada pela Nova Democracia e pelos socialistas do Pasok - conta com o apoio de 155 deputados. Para ver o seu candidato aprovado, necessita de garantir o voto de 200 dos 300 parlamentares.

Samaras tem direcionado o seu esforço sobre os 24 deputados independentes, confiando que deputados de outras formações, designadamente dos Gregos Independentes (com vários deputados que já pertenceram à Nova Democracia), possam apoiar Stavros Dimas.

Se esta quarta-feira o candidato do Governo não for eleito haverá uma segunda volta a 23 de dezembro, onde são necessários os mesmos 200 votos a favor. Se ainda assim não for alcançada essa maioria, está prevista uma terceira volta para 29 seguinte. Aqui, o número de votos necessários reduzirá para 180 (três quintos do Parlamento), a fasquia que Samaras tenta superar já que os 200 parecem uma missão impossível.

Se a eleição de Stavros Dimas falhar ao fim das três voltas, o Parlamento será dissolvido e serão convocadas eleições legislativas no prazo de dez dias.

 

Syriza no poder?

A Grécia continua a ser intervencionada pela troika e quem lidera as sondagens é o Syriza, um partido da esquerda radical que acumulou popularidade ao insurgir-se contra as medidas de austeridade.

Recentemente, o seu líder, Alexis Tsipras, acusou o primeiro-ministro de semear o medo com fins eleitorais. "A contagem decrescente para a coligação no Governo e as suas políticas catastróficas já começou."

A perspetiva do Syriza no poder está a lançar sérias preocupações em Bruxelas. Na semana passada, o presidente da Comissão Europeia alertou os gregos para o perigo de "forças extremistas" no poder, afirmando preferir "caras conhecidas", disse Jean-Claude Juncker. "Penso que os gregos, que têm uma vida muito difícil, sabem muito bem o que o resultado de uma eleição errada significaria para a Grécia e para a zona euro."