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EUA. Veterano da Força Aérea tentou aliar-se ao Estado Islâmico

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Perante o juiz, Pugh declarou-se inocente

Marilyn Church/Reuters

Pugh nasceu e foi criado nos Estados Unidos, mas converteu-se ao islamismo em 1998. Em janeiro deste ano decidiu viajar para a Síria, para se tornar num aliado dos jiadistas. Mas foi detido e deportado para os Estados Unidos.

Tairod Nathan Webster Pugh, um veterano da Força Aérea norte-americana, foi acusado de apoiar materialmente o autodenominado Estado Islâmico (Daesh) e de tentar atravessar a fronteira da Síria para se juntar aos radicais islâmicos. A 16 de janeiro, foi detido nos Estados Unidos e apresentou-se esta quarta-feira em tribunal , tendo-se declarado inocente. O julgamento segue dentro de momentos...

"Pugh, cidadão e membro do nosso exército, virou as costas aos Estados Unidos para fornecer suporte material ao Estado Islâmico. Cidadãos americanos que suportam organizações terroristas são uma grave ameaça para a segurança nacional e, por isso, sofrerão sérias consequências pelos seus atos", lê-se num comunicado emitido na terça-feira pelo Departamento da Justiça norte-americano. O tipo de suportes materiais que Pugh, de 47 anos, forneceu ao grupo extremista é desconhecido.

Se o veterano for condenado, poderá apanhar uma pena de prisão de 35 anos, declarou o Departamento de Justiça.

Pugh queria defender o Estado Islâmico

De acordo com o jornal "The Wall Street Journal", Pugh nasceu e foi criado nos Estados Unidos. Serviu a Força Aérea norte-americana de 1986 até 1990 e era um especialista em instrumentos de aviação. Oito anos depois converteu-se ao Islamismo e foi alimentando o desejo de combater ao lado dos radicais islâmicos.

Em 2001, onze anos depois de sair da Força Aérea, começou a trabalhar na companhia aérea American Airlines. Nessa altura, um agente federal soube, através de um colega de Pugh, que ele simpatizava com Osama bin Laden e que achava o bombardeamento feito em 1998 às embaixadas norte-americanas "justificável".  

Em 2002, Pugh manifestou vontade de viajar para a Tchechénia a fim de lutar pelos jiadistas. Mas não conseguiu. Em janeiro deste ano decidiu viajar para a Síria com o objetivo de se aliar aos radicais islâmicos. Tentou fazê-lo voando do Egito, onde trabalhava nos últimos 18 meses como mecânico de aviões, para a Turquia e daí cruzar a fronteira para a Síria. No entanto, as autoridades turcas não permitiram a entrada de Pugh naquele país. Desconfiaram que o veterano iria para a Síria com o intuito de se aliar ao grupo extremista e, dessa forma, ordenaram o seu regresso ao Egito.

Quatro dias depois, Pugh foi deportado para os Estados Unidos e os agentes do FBI obtiveram um mandado para apreenderem vários gadgets tecnológicos que estavam na posse do veterano. Ao investigarem o disco rígido do portátil de Pugh, os agentes encontraram pesquisas feitas na internet sobre as fronteiras controladas pelo autodenominado Estado Islâmico (Daesh) e ainda vídeos pirateados de radicais islâmicos a executarem prisioneiros.

Os agentes do FBI descobriram ainda uma mensagem escrita por Pugh para a sua mulher: "Eu sou muçulmano... e vou utilizar os meus talentos e capacidades, dados por Alá, para estabelecer e defender o Estado Islâmico".