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EUA podem ter omitido ligações do Reino Unido no relatório da CIA

Um porta-voz do primeiro-ministro britânico, David Cameron, admitiu terem ocorrido trocas de informação entre os EUA e o Reino Unido.

SUZANNE PLUNKETT/REUTERS

Agências de espionagem britânicas terão solicitado aos Estados Unidos que o Reino Unido fosse omitido no relatório que denuncia os métodos de tortura usados pela CIA. 

Um dia depois de o Reino Unido ter negado qualquer tipo de ligação aos "interrogatórios intensivos" da Agência Central de Informação (CIA), um porta-voz de Downing Street admitiu terem ocorrido trocas de informação com os Estados Unidos, antes da publicação do relatório da CIA.

Um comunicado emitido pelo porta-voz do primeiro-ministro britânico, refere que "existiram conversas entre as agências britânicas e os homólogos norte-americanos sobre o resumo do relatório".

O comunicado não esclarece se no relatório da CIA foram omitidas informações que envolvessem o Reino Unido, mas acrescenta que "qualquer censura de informação terá sido por razões de segurança nacional".

O documento divulgado esta terça-feira descreve em seis mil páginas as práticas de interrogatório realizadas pela CIA, após os atentados de Nova Iorque em 11 de setembro de 2001. Mas em todo o relatório não existem referências aos serviços secretos do Reino Unido.

As alusões às "agências de inteligência da Grã-Bretanha foram suprimidas do relatório dos Estados Unidos", segundo o jornal britânico "The Guardian".

Com a publicação do documento pelo Senado americano, o governo de David Cameron vê-se agora pressionado a iniciar uma investigação sobre as atividades dos serviços de espionagem britânicos M15 e M16.

O Reino Unido é acusado de cumplicidade com os Estados Unidos nos sequestros de Binyam Mohamed, um cidadão britânico levado para a ilha de Guantánamo, e dos líbios Abdel Hakim Belhaj e Sami al-Saadi. O Reino Unido sempre defendeu que a tortura não devia de ser praticada.