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Internacional

EUA estiveram em vias de evitar morte de refém do Estado Islâmico

Negociações de advogado norte-americano com líderes espirituais muçulmanos prolongaram-se durante várias semanas em outubro. O FBI estava a par de todos os passos.

Os EUA contrataram um advogado para falar com dois clérigos muçulmanos no Médio Oriente com vista a tentarem convencer os militantes do Estado Islâmico (EI) a libertarem o refém Abdul-Rahman Kassig, que entretanto foi morto e cujo vídeo da sua decapitação foi divulgado há um mês. A informação é avançada esta sexta-feira pela BBC e pelo "The Guardian".   

Segundo as mesmas fontes, as negociações falharam quando um dos clérigos foi detido na Jordânia, na sequência de ações de promoção do jihadismo.   

A polícia federal norte-americana (FBI) confirmou à BBC que estava a par das conversações, mas recusou-se a adiantar pormenores.   

De acordo com o advogado Stanley Coehen, não foi o EI que quebrou qualquer tentativa de acordo, mas sim o Governo da Jordânia, e os EUA não fizeram nada depois nesse sentido. "As conversações com o Estado Islâmico foram arruinadas pelo Governo da Jordânia. Eu vim do Médio Oriente com as garantias do Estado Islâmico de que ele [Kassig] continuaria vivo e que eles me iriam ouvir e ver onde é que as negociações iam dar. Durante seis semanas ele permaneceu vivo", explicou.

Oportunidade perdida 

O advogado, que já contava com uma larga experiência, tendo representado o Hezbollah, o Hamas e o cunhado de Osama Bin Laden, diz que se sentiu traído, depois dos seus esforços que davam frutos positivos. "Sinto que perdemos uma oportunidade de ouro, não só para salvar Kassig mas outros potenciais reféns", afirmou à BBC. 

Antes de viajar para o Médio Oriente como um "cidadão comum", a 13 de outubro, Stanley Coehen terá discutido os planos com o FBI. O périplo incluiu paragens pelo Kuwait e a Jordânia.

Abu Muhammed al-Maqdisi, que é considerado o mais influente académico jihadista, e Abu Qatada, conhecido como o embaixador da Al-Qaeda na Eurropa, foram os clérigos muçulmanos com quem Stanley Coehen se encontrou.

No dia 16 de  novembro, o EI divulgou um vídeo com a decapitação de Abdul-Rahman Kassig, fundador de uma organização humanitária raptado há um ano pelo grupo terrorista.

Barack Obama classificou a decapitação como um ato de "maldade pura", reiterando o empenho dos EUA e da coligação internacional na luta contra os terroristas.