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Internacional

EUA admitem visita de Raúl Castro

O último encontro de Obama e Castro ocorreu no ano passado, durante a cerimónia fúnebre de Nelson Mandela, em Pretória

Reuters

Barack Obama recusa para já uma deslocação a Cuba, embora não afaste essa hipótese no futuro. A secretária de Estado adjunta é que visitará Havana já em janeiro.

Continuam os passos firmes em direção a uma relação diplomática entre os EUA e Cuba. A Casa Branca admitiu que Washington poderá receber o Presidente Raúl Castro, em linha com a intenção de normalizar as relações com Havana, após meio século de hostilidades entre os dois países.

"Não excluiria uma visita do Presidente Castro", declarou na quinta-feira o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, frisando que Barack Obama esteve também com os líderes da Birmânia e da China.

"Ao atender a esses líderes, os EUA podem influenciar melhor os países com vista a um melhor respeito pelos Direitos Humanos universais", acrescentou.

Entretanto, a secretária de Estado adjunta dos EUA para a América Latina, Roberta Jacobson, reforçou que a normalização das relações bilaterais não está relacionada diretamente com os progressos na ilha face aos Direitos Humanos. A responsável deverá representar os EUA numa visita a Havana já em janeiro.

Também John Kerry revelou estar a planear uma visita a Cuba, lembrando que será o primeiro o secretário de Estado que visitará o país em 60 anos.

Já Barack Obama exclui para já uma deslocação ao país liderado por Raúl Castro. Numa entrevista à ABC News, o Presidente norte-americano disse não ter qualquer plano nesse sentido, embora não afaste essa possibilidade no futuro. "Vamos ver como as coisas evoluem", afirmou.  

Esta quinta-feira, Mariela Castro, filha do Presidente cubano, aplaudiu a intenção dos EUA em normalizar as relações diplomáticas com Cuba, elogiando a "coragem" do líder norte-americano.

"Felicito o Presidente Obama pela sua coragem. Realmente o que eu mais desejava era que passasse à história como o Presidente dos Estados Unidos que acabou com o bloqueio e que libertou os cinco agentes cubanos presos", declarou Mariela Castro, em entrevista à CNN.

Apesar da vontade demonstrada por Obama, a retoma das relações diplomáticas com dos EUA com Cuba deverão enfrentar fortes obstáculos no Congresso. Os republicanos, que irão controlar ambas as câmaras, em janeiro, opõem-se ao levantamento do embargo económico que Washington impôs em Havana, desde 1962. Também a abertura de embaixadas nos dois países deverá contar com a oposição do partido republicano.

Na terça-feira, Barack Obama e Raúl Castro mantiveram uma conversa telefónica para ultimarem acordo sobre a libertação de de Alan Gross, empreiteiro norte-americano que cumpria pena de 15 anos de prisão em Cuba por conspiração. O último encontro dos líderes ocorreu no ano passado, durante a cerimónia fúnebre de Nelson Mandela, na África do Sul.