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Internacional

EUA acusam Coreia do Norte do ataque que levou ao cancelamento do filme da Sony

Reuters

Na comédia "Uma Entrevista de Loucos", dois jornalistas eram recrutados pela CIA para assassinarem o líder da Coreia do Norte. Após ataques de hackers, que aconselharam os potenciais espectadores a lembrarem-se do 11 de Setembro de 2001, a estreia e exibição do filme foram canceladas.

Responsáveis dos serviços de informação norte-americanos concluíram que o regime da Coreia do Norte esteve por detrás dos ataques de pirataria informática contra a Sony Pictures. Além de terem divulgado informações sensíveis dos estúdios, os hackers lançaram ameaças de terror contra quem fosse ver o filme "Uma Entrevista de Loucos" ("The Interview", no título original).

A estreia estava prevista para o dia de Natal, num cinema de Manhattan (Nova Iorque), mas a Landmark, empresa proprietária do recinto, anulou a exibição na quarta-feira. O exemplo foi seguido pelos cinco maiores grupos de distribuição de cinema dos EUA, o que levou a Sony a anunciar que desistia de estrear o filme (em Portugal a data programada era 29 de janeiro).

"Respeitamos e compreendemos a decisão dos nossos parceiros e estamos em total sintonia com o facto de colocarem primeiro lugar a segurança dos seus funcionários e espectadores", anunciou a Sony.

"Uma Entrevista de Loucos" era uma comédia em que os atores Seth Rogen e James Franco surgiam como dois jornalistas recrutados pela CIA para assassinarem o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, durante uma entrevista.

Ataques começaram há quatro semanas

Quatro semanas depois de terem começado os ataques informáticos à Sony Pictures, um grupo de hackers que se apresenta sob o nome "Guardiões da Paz", ou GOP, voltou às ameaças na terça-feira.

"Vamos mostrar-vos que a qualquer momento e em todos os lugares onde 'Uma Entrevista de Loucos' seja reproduzido, incluindo na estreia, o destino pode ser amargo para aqueles que procuram diversão através do terror", referia uma das suas mensagens.

"Em breve o mundo vai ver o que o filme terrível da Sony Pictures Entertainment provocou. O mundo vai encher-se de medo. Lembrem-se do 11 de setembro", acrescentavam.

Declaração formal para breve 

"Descobrimos uma ligação ao Governo norte coreano", referiu um responsável governamental norte-americano à NBC News, sobre estes ataques de pirataria informática. Um investigador federal que falou à agência Associated Press, também sob condição de anonimato, indicou estar para breve uma declaração formal sobre o assunto.

Ainda não é claro qual será a resposta dos EUA. Bernadette Meehan, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, afirmou que este está a "ponderar uma série de hipóteses".

O regime da Coreia do Norte negara, no início deste mês, estar envolvido nos ataques contra a Sony, embora os descrevesse como "uma ação acertada". Anteriormente Pyongyang tinha considerado que a estreia do filme representaria "um ato de guerra" que conduziria a uma retaliação "impiedosa".