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Estudo conclui que o FMI tem responsabilidades na epidemia de ébola

Por todo o mundo continuam os testes para tentar lidar com a epidemia. Na foto, um exercício na República Dominicana

Ricardo Rojas/REUTERS

"Uma das razões pelas quais a epidemia de ébola se espalhou tão rapidamente foi a fragilidade dos sistemas de saúde" nas regiões mais afetadas.

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

As políticas impostas pelo FMI nos países da África Ocidental entre 1990 e 2014 levaram ao enfraquecimento dos sistemas de saúde de países como a Libéria, Serra Leoa e Guiné-Conacri. Isso terá contribuido para o alastramento da epidemia do vírus do Ébola, que já matou mais de sete mil pessoas, na região. É esta a conclusão de um estudo da Universidade de Cambridge, publicado na "Lancet", uma das revistas de saúde mais respeitadas em todo o mundo.

"Uma das razões pelas quais a epidemia de ébola se espalhou tão rapidamente foi a fragilidade dos sistemas de saúde na região", declarou Alexander Kentikelenis, especialista em sociologia da Universidade de Cambridge e líder do estudo. "As políticas impostas pelo FMI contribuíram para que os sistemas de saúde nos países afetados pelo ébola estivessem sem fundos, com poucos profissionais e mal preparados."

Como Kentikelenis explicou ao programa "Newsday" da BBC, entre as políticas criticadas pelo estudo estão a descentralização dos sistemas de saúde - o que tornou difícil conseguir uma resposta coordenada - e os tetos máximos para os ordenados, limitando a capacidade de contratar mais profissionais de saúde. O estudo fala também nos cortes impostos pelo FMI, que terão impedido o uso de fundos "que poderiam ser direcionados para desafios prementes de saúde".

O FMI já reagiu através de um comunicado, onde considera "completamente falso" que as suas políticas tenham contribuído para o aumento da epidemia. "Essas afirmações baseiam-se em mal entendidos e, nalguns casos, numa representação errada das políticas do FMI", declarou um porta-voz da organização à AFP, acrescentando que desde 2009 os empréstimos do Fundo a estes países têm tido taxas de juro de 0%.