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Estátuas destruídas pelo Estado Islâmico eram apenas réplicas

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As imagens de jiadistas do autodenominado Estado Islâmico (Daesh) a destroçarem estátuas milenares chocaram o mundo. No entanto, o diretor do museu de Bagdade assegura que não eram verdadeiras e que as peças autênticas permanecem a salvo. 

"Nenhum dos artefactos destruídos no vídeo é original. Eram cópias. Os originais estão todos aqui", afirmou Kawzye al-Mahdi, diretor do museu de Bagdade, falando num programa da TV alemã Deutsche Welle.  

Ao estudarem o filme divulgado no final de fevereiro, os curadores do museu da capital iraquiana começaram a descobrir que muitos dos artefactos milenares que supostamente tinham sido destruidos em Mosul estavam, na verdade, guardados na sua instituição. Outros fazem parte dos acervos de museus de outros pontos do mundo. 

Horas após a divulgação do vídeo, especialistas começaram a questionar como é que as estátuas eram destruídas com tanta facilidade, enquanto outros repararam que na sua estrutura surgiam barras de ferro, o que não seria possível dada a antiguidade das mesmas.  

Pequenos obetos podem estar a ser vendidos 

Atheel Nuafi, o último governador de Mosul, que abandonou a cidade depois de esta ter sido capturada pelo Daesh no ano passado, também confirmou que a maioria dos objetos destruídos eram réplicas, embora frisasse que dois eram originais: as estátuas de um touro de asas de o Deus de Rozhan.

Nuafi expressou ainda o seu receio de que os jiadistas tenham roubado objetos mais pequenos do museu de Mosul e que os tenham vendido, referindo que sete peças surgiram na Alemanha. Até 2003, o museu de Mosul tinha a segunda maior coleção de réplicas no Iraque.

Durante a queda do regime de Saddam Hussein o museu foi roubado, mas os seus funcionários conseguiram salvar a maior parte do acervo, que foi levado para Bagdade. Muitos dos maiores tesouros arqueológicos iraquianos foram levados durante o século XX para museus de outros países.