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Estados Unidos e Cuba. "A guerra fria acabou", diz Obama

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Mandel Ngan / AFP / Getty Images

Apesar das divergências, Barack Obama e Raúl Castro consideram que o encontro histórico entre os dois foi "franco", "frutuoso" e "produtivo". E o Presidente norte-americano é perentório: "É preciso virar a página" nas relações entre Washington e Havana. 

Uma hora. Foi o tempo que durou o encontro histórico entre Barack Obama e Raúl Castro, na noite de sábado (madrugada de domingo em Lisboa), à margem da VII Cimeira das Américas, na Cidade do Panamá. Sentados lado a lado, o Presidente dos Estados Unidos e de Cuba conversaram sobre pontos de divergência e aproximação entre os dois países, depois de terem conversado, por telefone, sobre o processo de restabelecimento das relações diplomáticas bilaterais, que deverá implicar a abertura de embaixadas em Washington e Havana.  

"A guerra fria acabou",  declarou Obama na noite de sábado, em conferência de imprensa, sublinhando que esta foi "uma conversa franca e frutuosa". "Temos visões muito diferentes sobre a forma como a sociedade deve estar organizada. Fui muito direto com ele [Castro]".  

O Presidente norte-americano considera que "Cuba não é uma ameaça" para o seu país e que é preciso "virar a página" nas relações entre Washington e Havana, realçando que a aproximação entre os Estados Unidos e Cuba é apoiada por uma "forte maioria" nos dois países, permitindo um aumento do comércio bilateral e das viagens.  

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros cubano, Bruno Rodríguez, classificou o diálogo como "produtivo". "Os presidentes analisaram os progressos alcançados desde os anúncios de 17 de dezembro [de uma reaproximação histórica entre os dois países] e coincidiram na importância de se continuar a trabalhar com o objetivo de conformar o contexto apropriado para proceder ao restabelecimento das relações diplomáticas e abrir as embaixaas dos respetivos países", afirmou Bruno Rodríguez, em conferência de imprensa.  

O chefe da diplomacia cubana considera que as medidas adotadas por Obama em janeiro, para flexibilizar o bloqueio em relação a Cuba, "são um passo na direção certa", mas considera-as ainda limitadas - referindo ser "essencial" o levantamento do embargo. E sublinha que os Estados Unidos devem deixar de adotar políticas que promovam alterações no sistema político e socioeconómico da ilha.  

Cuba considera que é preciso distinguir o restabelecimento das relações entre os dois países, nomeadamente a abertura de embaixadas, e a posterior "normalização", uma vez que são dois "processos separados". A normalização será um processo "mais difícil e complexo", implicando temas como o levantamento do embargo ou a entrega a Cuba dos terrenos nos quais está a base naval de Guantánamo. 

Aquele que é o primeiro encontro entre dois líderes dos Estados Unidos e Cuba desde a década de 1950 gerou expetativas sobre um possível anúncio sobre a lista de Washington sobre os países que promovem o terrorismo, na qual Cuba está incluída. Havana frisou a importância de se retirar Cuba desta lista, mas Obama sublinhou que ainda não pode rever a recomendação do Departamento de Estado (destinada a retirar Cuba da lista) e que, por isso, ainda não tomou uma decisão.  

Para além da análise dos pontos de divergência, os dois líderes abordaram ainda possibilidades de cooperação em áreas de interesse comum, nas quais se incluem a luta contra o terrorismo e narcotráfico, a proteção ambiental, o controlo do impacto das alterações climáticas e a saúde.