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Estado Islâmico divulga vídeo de criança a assassinar israelita acusado de ser espião

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FOTO REUTERS

Imagens mostram uma criança - vestida de camuflado - a disparar um tiro na cabeça do alegado espião.

O autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) divulgou terça-feira à noite um vídeo que mostra uma criança a assassinar um jovem israelita acusado de ser espião da Mossad (serviços secretos israelitas).

A vítima, Mohamed Musalan, de 19 anos, tinha sido sequestrada há três meses por membros do Daesh na Turquia, quando tentava aparentemente viajar para a Síria para se juntar ao Estado Islâmico, segundo fontes oficiais de Israel. A família nega, no entanto, que Mohamed Musalan trabalhasse como espião para a Mossad, garantindo que o filho foi detido pelos terroristas numa viagem turística em território turco.

No vídeo vê-se uma criança - vestida de camuflado - a disparar um tiro na cabeça do alegado espião, ação que repetiu outras três vezes, enquanto gritava "Allahu Akbar!" (Alá é grande). O menor estava acompanhado por um combatente mais velho que explicou, em francês, que o atirador é um dos "filhos mais novos do califado".

Antes viu-se Mohamed Musalan, vestido com uma farda laranja, a admitir que trabalhava como espião para a Mossad, explicando também como tinha sido recrutado e treinado pelos serviços secretos israelitas.

O jovem israelita repetiu, em parte, o que dissera no mês passado numa entevista publicada na revista "Dabiq": que se tinha juntado ao Daesh para informar os israelitas sobre esconderijos de armas e bases.



A autenticidade do vídeo não foi, contudo, confirmada pelas autoridades de Israel.

Musalan queria regressar a casa

Segundo o pai de Mohamed Musalan, o filho contactou-o recentemente através da internet, a partir de Raqqa, dizendo querer regressar a casa. "O meu filho foi capturado por combatentes do Daesh na fronteira turca enquanto tentava regressar a Jerusalém. Ele estava preocupado porque sabia que a mãe estava doente, mas eles detiveram-no e obrigaram-o a confessar que era espião", afirmou o pai em entrevista ao jornal "The Guardian".

"Eles vitimaram-no só para mostrar ao mundo que são capazes de intimidar e assustar a comunidade internacional, mas Deus é grande", acrescentou.

Também a mãe de Musalan assegurou que o filho não era espião da Mossad, mostrando-se icrédula com tal acusação. "Com 19 anos. Espião?  Como? Ele, coitado, nem tinha dinheiro para cigarros. Só queria casar e emigrar para viver a sua vida", declarou.

Segundo o jornal israelita "Haaretz", Mohamed Musalan vivia no leste de Jerusalém, tendo estudado durante doze anos e ingressado depois nos bombeiros voluntários.