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Estado Islâmico divulga vídeo da destruição de ruínas de Hatra

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"Ídolos. Província do Tigre", divulgado esta sexta-feira pelo movimento jiadista, mostra a destruição da cidade de Hatra, classificada como Património Cultural da Humanidade pela UNESCO. 

Um militante do grupo radical Estado Islâmico (também conhecido por Daesh) aparece com um martelo, a destruir uma estátua decorativa de uma parede até esta cair. Outro homem, também jiadista islâmico, surge de seguida a disparar uma kalashnikov contra a parede. E aquelas não são paredes quaisquer, fazem parte do importante património cultural, arquitetónico e arqueológico do Iraque, na antiga cidade de Hatra.  

Os acontecimentos datam do início de março (denunciados, aliás, pelo ministro do Turismo iraquiano), mas foram mostrados num vídeo na passada sexta-feira, divulgado na internet pelo Daesh. A notícia foi avançada este fim de semana pela Associated Press, embora a autenticidade do vídeo, intitulado "Ídolos. Província do Tigre", ainda não tenha sido confirmada. 

Estátuas, pilares e outros elementos arquitetónicos das ruínas desta cidade do Império Parta foram destruídos, por serem "idolatrados em vez de Deus", declara no vídeo um dos jiadistas do movimento fundamentalista que declarou um califado em várias regiões do Iraque e da Síria. Desconhece-se, contudo, o paradeiro de várias estátuas valiosas que estariam nas paredes dos templos - provavelmente vendidas no mercado negro, para financiar as suas atividades, acreditam as autoridades. 

Fundada no século III antes de Cristo (a.C.), Hatra - localizada 110 quilómetros a sul da cidade de Mossul e controlada atualmente pelo Estado Islâmico (EI) - é considerada a primeira capital do Reino Árabe. Aquela que é um importante testemunho de uma parte da civilização assíria e babilónica (mostrando a influência de gregos, persas, romanos e árabes) e que foi classificada em 1985 como Património Cultural da Humanidade pela UNESCO vê assim muito do seu legado destruído - ainda que não seja possível dizer a extensão dos estragos, uma vez que a cidade se encontra sob domínio do grupo radical islâmico.

As ações do EI já foram, inclusive, condenadas pela UNESCO e pela Organização das Nações Unidas (ONU). "A destruição de Hatra é um ponto de viragem na assustadora estratégia de limpeza cultural, que está em curso no Iraque", afirmou, em comunicado, a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova. Já o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon declara: "A destruição deliberada da nossa herança cultural comum constitui um crime de guerra e um ataque contra a humanidade como um todo".  

Para além de Hatra, os jiadistas destruíram a zona arqueológica de Dur Sharrukin, na cidade iraquiana de Jorsabad, bem como a cidade assíria de Nimrud e o Museu da Civilização em Mossul, entre outros.