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Estado Islâmico avança às portas de Damasco

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Habitantes do campo de refugiados de Yarmouk esperam por pacotes de ajuda humanitária da ONU, a 11 de março

EPA

Os militantes do autoproclamado Estado Islâmico conquistaram, este sábado, 90% do campo de refugiados palestianos de Yarmouk, nos subúrbios da capital síria. Esta manhã, sabe-se que 2.000 pessoas já foram evacuadas do local. 

Os militantes do autoproclamado Estado Islâmico (EI) e a Frente al-Nusra, filial da Al-Qaeda na Síria, avançam cada vez mais no território sírio. Desde este sábado, o campo de refugiados palestinianos de Yarmouk, nos subúrbios de Damasco, a capital síria, ficou praticamente sob controlo do EI - o Observatório Sírio dos Direitos Humanos divulga que este conquistou 90% do campo de Yarmouk. 

A ofensiva conjunta, lançada esta quarta-feira, dá ao autoproclamado Estado Islâmico uma importante presença junto da capital síria. Este sábado, o "Financial Times" adianta que o grupo terrorista poderá ter sucesso na implementação de um apoio na capital, o que poderá ameaçar o lugar do Presidente sírio Bashar al-Assad.  

O assassinato, na passada segunda-feira, do líder do Hamas em Yarmouk, Yahia Hourani, por militantes jiadistas catapultou os acontecimentos de esta semana. A resposta do grupo palestiniano Aknaf Beit al-Maqdis (opositor do regime de Bashar al-Assad, na Síria), provocou o ataque, na passada quarta-feira, dos militantes do Daesh (outro nome pelo qual é conhecido o EI). 

"A Al-Qaeda, que marcava presença no campo de refugiados, tinha um acordo com a Beit al-Maqdis", afirmou ao "El País" Ali Baraka, o representante máximo do Hamas no Líbano. "Acordo que foi traído [pela Al Qaeda] ao aliar-se e facilitar a entrada do EI no campo".  

Nessa ofensiva dos jiadistas dois homens foram decapitados - e as fotos das suas cabeças partilhadas nas redes sociais - e pelo cerca de 20 palestinianos perderam a vida nos combates que se iniciaram na passada quarta-feira. 

6.000 pessoas já foram evacuadas

"A situação em Yarmouk é uma afronta à humanidade, um motivo de vergonha universal", afirmou, em comunicado, o porta-voz da Agência da ONU para os Refugiados Palestinianos (UNRWA, na sigla inglesa), Chris Gunnes. Estas declarações são apoiadas pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP), que apelou à ação da ONU, Comité Internacional da Cruz Vermelha e ao governo sírio para a abertura de um corredor humanitário que permita a evacuar os civis.  

Até à data, sabe-se que cerca de 2.000 pessoas já foram evacuadas do campo de refugiados, segundo avança esta manhã a agência France Presse. As tropas sírias ajudaram nessa retirada, enquanto as forças palestinianas combatiam para atrasar os jiadistas do Daesh. 

Cerca de 18.000 sírios e palestinianos, entre eles 3.500 crianças, ficaram presos no campo de refugiados e a ONU impedida de entregar mantimentos. A situação é crítica. A população sofre, desde fevereiro de 2014, com o cerco do governo sírio, quando opositores sírios ocuparam Yarmouk, concordando com a presença das forças palestinianas anti-Assad dentro do campo. "Yarmouk está cercado há 700 dias, o que já resultou na morte de 200 palestinianos", declarou ainda um porta-voz da OLP.  

Numa atitude pouco convencional, o Exército sírio permitiu que uma milícia palestiniana, aliada às forças de Assad, enviasse armas ao Hamas para combater os jiadistas. "É uma atitude extremamente rara do governo - fazer algo que possa, mesmo que remotamente, cooperar com a oposição", disse ao "Financial Times" um ativista cuja identidade não foi revelada. "Isso mostra quão desesperado o regime está para travar o EI e impedi-lo de criar uma porta de entrada para o coração da capital".