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Escola desconhecia problemas mentais de aluno que matou professor com uma besta

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Continuam as homenagens ao professor falecido em frente à escola de Barcelona

FOTO QUIQUE GARCIA/AFP/Getty Images

Durante as buscas à casa do jovem homicida foram encontradas três bestas, uma espingarda e uma faca de grandes dimensões, além de um caderno com um plano delineado para levar a cabo o ataque à escola de Barcelona. "Temos que matá-los a todos", podia ler-se numa das folhas.

Enquanto o Instituto Joan Fuster, em Barcelona, tenta esta quarta-feira regressar à normalidade com a reabertura de portas, dois dias depois de um estudante de 13 anos ter assassinado um professor e ferido mais quatro pessoas (dois alunos e dois docentes) com uma besta e um punhal, vão sendo divulgados novos dados sobre a investigação que colocam mais pressão sob o sector educativo espanhol, obrigado a tomar medidas para evitar situações semelhantes.

Segundo fontes judiciais citadas pelo jornal "El País", a escola desconhecia que o aluno sofria de problemas psicológicos. Foi o próprio aluno que depois do crime, quando foi encontrado numa casa de banho da escola, terá admitido a um professor de Educação Física que tomava medicamentos para a esquizofrenia.

No entanto, a polícia catalã que efetuou buscas na casa do adolescente não encontrou quaisquer fármacos recomendados para doenças do foro mental, segundo as mesmas fontes. As autoridades depararam-se com um "pequeno arsenal de armas", que incluíam três bestas de brinquedo, uma espingarda e uma faca de grandes dimensões, além de um caderno com um plano delineado para levar a cabo o ataque à escola. Nessas folhas havia desenhos com monstros e zombis, estando escrita a seguinte frase: "Temos que matá-los a todos".

No quarto do jovem foram encontrados também dois livros: "O Guia de Sobrevivência Zombi" e uma obra do escritor de literatura infantil e juvenil Fernando Lalana, cujo título não foi revelado. Ambos foram levados pelas autoridades para serem analisados, assim como conteúdos que constavam do computador do estudante.

Os pais do jovem homicida - uma enfermeira e um assistente social - não admitiram que o filho padecia de problemas mentais, limitando-se a dizer que estava a ser acompanhado por um psicólogo.

Por sua vez, o pai reconheceu que a besta com a qual o filho atacou o professor lhe pertencia e era profissional, tendo sido uma oferta do seu patriarca há uns 20 anos, sublinhando que costumava guardá-la numa casa de férias.

Mais medidas preventivas

A legislação espanhola não prevê que os encarregados de educação sejam obrigados a informar a comunidade escolar sobre problemas psicológicos dos filhos, a não ser que sejam "transtornos graves de personalidade ou de conduta". No entanto, face à recente tragédia em Barcelona, o Ministério da Educação apela aos pais para reportarem quaisquer necessidades educativas especiais.

O titular da pasta educativa, José Ignacio Wert, propôs nomeadamente a criação de um grupo de trabalho em cada comunidade autónoma, de forma a definir estratégias globais para prevenção da violência nas escolas. O responsável diz que o caso do Instituto Joan Fuster foi "pontual", não havendo motivos para alarme nas escolas.

Entretanto, o juiz que está encarregue do caso aguarda o resultado da autópsia do professor falecido, Abel Martínez, de 35 anos. Os objetos recolhidos pelas autoridades durante as buscas à casa do aluno já foram enviadas à Direção Geral de Atenção à Infância e à Adolescência (DGAIA).



Tal como disse a conselheira de Educação, Irene Rigau, na terça-feira em declarações à Rádio Catalunha, o destino mais provável do jovem homicida é ficar internado durante dois ou três anos num centro para menores. Em Espanha, os jovens até aos 18 anos são considerados "inimputáveis" não tendo responsabilidade penal - não podem ser interrogados, nem julgados.