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Entrada no cockpit. Um semáforo de possibilidades

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O copiloto alemão que terá sido responsável pelo desastre do Airbus A320 nos Alpes franceses bloqueou a entrada na cabine de pilotagem, deixando o comandante do outro lado. Mas, afinal, quais os procedimentos de entrada na cabine de pilotagem? Quando é ou não é possível entrar? Existem regras a seguir e três possibilidades distintas, que impedem ou não a abertura da porta de entrada no cockpit: modo normal, bloqueado ou desbloqueado. 

A incapacidade de o comandante Patrick Sonderheimer, do voo 4U 9525 da Germanwings que caiu nos Alpes, entrar na cabine de pilotagem, por alegadamente o copiloto Andreas Lubitz lhe ter bloqueado o acesso, tem sido esta quinta-feira a pedra-de-toque do desastre do Airbus A320 nos Alpes franceses. Depois de as gravações retiradas da caixa negra terem revelado que a colisão terá sido intencional, várias companhias aéreas, entre as quais a Easyjet, anunciaram um reforço das medidas de segurança no cockpit, obrigando a que estejam sempre duas pessoas na cabine de pilotagem. 

Mas, afinal, o que se terá passado para o comandante ser impedido de entrar? O procurador-geral de Marselha, Brice Robin, afirmou esta quinta-feira que o copiloto terá bloqueado o acesso à cabine, quando o comandante se ausentou momentaneamente do cockpit. O que acontece numa situação destas? Em que situações é possível aceder à cabine de segurança? Quando é que esse acesso fica interdito?

Para responder a estas perguntas, é preciso conhecer os procedimentos a seguir dentro das cabines de pilotagem de um Airbus, explicados no vídeo "Airbus Reinforced Cockpit Door Description and Procedure", publicado no Youtube a 4 de abril de 2014 (pode vê-lo no início do texto). 

Desbloqueado, normal ou bloqueado?  Dentro da cabine de pilotagem, o comandante e o copiloto têm três opções distintas que podem ser selecionadas através um interruptor: desbloqueada (porta da cabine aberta, com luz verde para entrar), normal (fechada, mas passível de ser acedida em caso de emergência) e bloqueada (acesso interdito em qualquer momento, indicado com uma  luz vermelha). Esta última foi uma opção incorporada após os ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001, quando se realizou um reforço das regras e procedimentos de segurança das cabines de pilotagem. Assim, um comandante ou copiloto que se aperceba que o voo está a ser sabotado poderá bloquear a porta de acesso ao cockpit como uma forma de segurança - o que impossibilita a sua abertura a partir do outro lado, mesmo recorrendo à utilização do código de emergência.  

Apesar desta nova possibilidade, durante o voo o procedimento mais comum é ter a porta do cockpit em modo "normal". Neste caso, a porta está fechada. Quando um comissário de bordo quer entrar no cockpit deve, em primeiro lugar, contactar a cabine de pilotagem, pedir para aceder e, depois de o comandante ou copiloto desbloquearem a porta e quando a luz verde surgir, poderá entrar.  

No entanto, situações inesperadas podem surgir. Se no cockpit existir um problema com o comandante ou copiloto (se estiverem inconscientes, por exemplo) existe uma possibilidade, por parte da tripulação, de aceder ao cockpit. O tripulante que quer entrar na cabine, e que não obtém resposta do comandante/piloto, deverá inserir um código de emergência para abrir a porta. Trinta segundos depois, ser-lhe-á permitida a passagem.   

Esta é apenas uma possibilidade se a porta estiver fechada no modo "normal". Se dentro da cabine a opção selecionada for "bloqueada" não há código de emergência que valha, a não ser que quem está no cockpit decida abrir a porta de acesso. O que não aconteceu no caso da Germanwings, segundo os investigadores.