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Enquanto o exército ataca Al-Shabab, os quenianos homenageiam os mortos de Garissa

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Alguns dos estudantes resgatados da Universidade de Garissa

Daniel Irungu/EPA

No último dia de luto nacional, os quenianos saem hoje à rua numa marcha de homenagem às 148 pessoas mortas na passada quinta-feira. Na véspera, o exército anunciou ter atacado bases do grupo que reivindicou o ataque.

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

Uma marcha em Nairobi durante o dia e uma vigília à noite. É assim que esta terça-feira, último dia de luto nacional, os quenianos vão assinalar a sua homenagem às 148 vítimas que morreram no ataque do grupo radical Al-Shabab à Universidade de Garissa.   

Os que saírem à rua irão recordar os 142 estudantes, três polícias e três soldados que foram mortos no atentado da passada quinta-feira, naquele que foi o pior massacre desde 1998, altura em que a Embaixada dos EUA no país foi atacada. Para a vigília, que se realizará esta noite no parque Uhuru ("liberdade" em suaíli), os organizadores pediram que os participantes se vistam de negro e que levem flores.  

O Quénia continua de luto e os cidadãos têm feito questão de manter viva a memória dos que foram assassinados. A AFP conta que a primeira página do jornal "Standard" desta terça-feira traz os rostos de várias vítimas, com o cabeçalho "Não iremos esquecer-nos."  

Mas nem por isso alguns deixam de fazer críticas às autoridades do país: "A corrupção enraizada no sistema de segurança permite que a Al-Shabab se movimente livremente para dentro e fora do Quénia e consiga levar a cabo estes ataques com facilidade", analisou à AFP Boniface Mwangi, um dos organizadores da vigília. 

Bases do grupo Al-Shabab atacadas 

Na segunda-feira, o exército queniano anunciou ter destruído duas bases dos radicais islamitas na Somália, perto da fronteira com o Quénia, depois de ter prometido que iria retaliar. 

"Os dois alvos foram atingidos, os dois campos estão destruídos", declarou o porta-voz do exército David Obonyo. No entanto, o grupo desmente ter sido atingido, dizendo que os quenianos falharam os alvos: "O Quénia não atacou nenhuma das nossas bases", disse o porta-voz de operações militares dos islamitas.  

Só nos últimos dois anos, o grupo já matou mais de 400 pessoas no Quénia, devido à proximidade das fronteiras e à facilidade com que os membros do grupo se movimentam entre os dois países. O último ataque de grande dimensão da Al-Shabab no país foi em 2013, quando os radicais cercaram o centro comercial Westgate e mataram 67 pessoas.