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Internacional

Empresa centenária sobrevive ao tsunami

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A Yagisawa Shoten Co, produtora de molho de soja, foi reerguida após sofrer prejuízos de milhões de euros provocados pelo tsunami, em 2011. Uma exceção entre as histórias de destruição e sofrimento originadas pelo desastre natural.

Desde 1807, um molho de soja de sabor único era fabricado pela empresa Yagisawa Shoten Co, localizada no nordeste do Japão. Atingidas pelo tsunami, em 2011, acreditava-se que as culturas de fungos, utilizadas no fabrico do molho de soja, estavam arruinadas, assim como o negócio com mais de dois séculos. Michihiro Kono, de 41 anos, pertencente à nona geração dos fundadores, era uma exceção, e dizia: "Se não desistirmos, não importa o quão doloroso possa ser, sempre haverá um caminho".

O tsunami que atingiu o Japão matou mais de 19 mil pessoas. Quatro anos depois, mais de 4 mil sobreviventes ainda moram em residências temporárias em Rikuzentakata, uma das cidades atingidas pelo tsunami, e que ficou conhecida pela árvore que, milagrosamente, se manteve intacta. Os prejuízos da Yagisawa foram estimados em 220 milhões de ienes (mais de 1,8 milhões de euros).

Kono manteve os salários dos 38 empregados e, inicialmente, pediu-lhes que fizessem trabalho voluntário de distribuição de comida e roupas às vítimas do tsunami. Para ele, uma pessoa sem trabalho teria maior dificuldade em encontrar forças para seguir com a vida. Kiyoko Araki, de 55 anos, uma das vítimas que perdeu a irmã no tsunami, confirma que manter-se ocupada ajudou-a a recuperar do trauma.

Matérias-primas intactas... milagrosamente 

Em maio de 2011, a empresa já era capaz de vender molho de soja novamente, mas produzido com outras matérias-primas. Uma nova fábrica foi construída numa região próxima das instalações originais, e a produção de soja foi retomada em 2013.

As culturas utilizadas no fabrico do molho encontravam-se armazenadas num laboratório, com o objetivo de serem utilizadas em pesquisas na luta contra o cancro. A retoma da produção foi possível pois, apesar de o laboratório ter sido destruído pelo tsunami, as matérias-primas encontravam-se intactas. O facto explica o porquê de o molho de soja ter recebido o nome de "Milagre".

As vendas atuais da empresa representam 70% do que era comercializado antes do desastre natural. Hoje, assim como a árvore que se manteve na cidade de Rikuzentakata, a Yagisawa é considerada uma exceção na história de destruição e sofrimento provocados pelo tsunami no Japão.