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"Eles levaram um dos nossos... Vamos levar dois dos deles"

Ismaaiyl Brinsley, numa foto não datada, cedida pela polícia de Nova Iorque

Reuters

Ismaaiyl Brinsley, o homem que sábado alvejou mortalmente dois policias nova iorquinos, tinha um longo historial de violência e distúrbios. Esteve preso pelo menos 19 vezes e na infância era tão violento que a própria mãe tinha medo dele, refere a polícia.

"Vejam o que eu vou fazer", disse Ismaaiyl Brinsley a duas pessoas com quem se cruzou sábado numa rua de Brooklyn, antes de se dirigir até a um carro de polícia e alvejar mortalmente os dois agentes que se encontravam no interior, suicidando-se pouco depois, segundo indicaram os investigadores.

Brinsley, de 28 anos, que antes de ter morto os dois polícias alvejara com gravidade uma ex-namorada, tinha deixado nesse dia mensagens nas redes sociais expressando o seu ódio relativamente aos recentes casos de afro-americanos mortos durante processos de detenções, indicando que iria vingar-se.

"Hoje vou colocar asas nos porcos. Eles levaram um dos nossos... Vamos levar dois dos deles#AtiremnaPolícia#ErivGarner(sic)#RIPMikeBrown", escreveu Ismaaiyl Brinsley na conta do Instagram da ex-namorada, Shaneka Thompson. A jovem de 27 anos, uma agente dos serviços de segurança, está em estado crítico, mas estável, num hospital de Nova Iorque, depois de ter sido baleada. Os médicos pensam que deverá conseguir recuperar.

"Este pode ser o meu último post... Eu vou pôr os porcos numa mortalha", escreveu Ismaaiyl Brinsley, duas horas antes do ataque, noutra mensagem no Instagram, nesse caso na conta DontRunUp, que deixou entretanto de estar disponível.

Os investigadores deram grande atenção à atividade Brinsley nas redes sociais antes de ter cometido os assassínios, além de terem analisado o seu percurso de vida e antecedentes criminais.

Preso pelo menos 19 vezes

Brinsley esteve preso pelo menos 19 vezes e na infância era tão violento que a própria mãe tinha medo dele, refere a polícia.

No sábado, após se ter cruzado com dois transeuntes em Brooklyn, aproximou-se do carro da polícia por detrás, disparou quatro tiros através da janela fechada do lado do passageiro e fugiu, tendo sido perseguido por trabalhadores da empresa de energia Consolidated Edison que testemunharam o ataque, segundo refere o "The New York Times". Depois entrou no metro, onde se terá suicidado.

No domingo, decorreram vigílias em Nova Iorque em memória dos dois polícias mortos - Wenjin Liu, de 32 anos, e Rafael Ramos, de 40. O mayor Bill de Blasio mandou colocar as bandeiras à meia haste.

Polícia virou as costas ao mayor de Nova Iorque 

Entretanto, a polícia da cidade saiu para as ruas com medidas de precaução reforçadas.

O "New York Times" refere que a onda de protestos contra a atuação policial deu lugar a diversas ameaças de violência sobre a polícia nas redes sociais, aumentando o medo entre as forças de segurança.

Durante uma conferência de imprensa, agentes da polícia viraram as costas para o mayor de Nova Iorque, mostrando o seu desagrado por considerarem que tem apoiado os protestos contra as forças policiais, refere a BBC.