Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Eleições em França. Uma dor de cabeça para o PS de Hollande

  • 333

O Presidente François Hollande, líder do PS francês, votou esta manhã em Tulle no centro do país

Eleições deste domingo podem provocar remodelação governamental em França. Direita lidera sondagens das eleições departamentais deste domigo. Frente Nacional e a coligação da direita que reúne sarkozystas e centristas têm quase 10 pontos de avanço nas sondagens.

Daniel Ribeiro, correspondente em Paris

Os socialistas franceses preparam-se para viver este domingo, na primeira volta das eleições departamentais, uma das suas piores noites eleitorais de sempre. Três das últimas projeções, divulgadas nesta sexta-feira, apontam para a vitória da Frente Nacional (FN), de Marine le Pen, com 28 a 30 por cento dos votos, seguida da coligação da União para um Movimento Popular (UMP) com dois partidos centristas, cotada com entre 27 e 29 por cento. Pelo seu lado, o PS é creditado com apenas 19/20 por cento dos votos, correndo o risco de perder o controlo político de dezenas de departamentos.

Com efeito, as previsões das sondagens para as eleições nestas divisões administrativas das regiões francesas (segunda volta no dia 29) são desastrosas para os socialistas, no poder em Paris. Todas antecipam uma nova derrocada eleitoral do partido do chefe do Estado, François Hollande, e do primeiro-ministro, Manuel Valls.



De acordo com as sondagens, o escrutínio deverá confirmar a implantação regional da FN, depois dos bons resultados obtidos por este partido nas últimas eleições autárquicas e europeias. Segundo as projeções para a segunda volta, dentro de oito dias, será a primeira vez que o partido extremista de Marine le Pen poderá conquistar a presidência de alguns departamentos, apesar destas eleições lhe serem tradicionalmente desfavoráveis devido ao facto de o movimento incluir poucos notáveis locais nas listas e do escrutínio decorrer sob o sistema eleitoral maioritário a duas voltas.



Na decisiva votação da segunda volta, será certamente a coligação da UMP com os centristas que deverá conquistar a maioria dos departamentos devido à dinâmica do chamado "voto republicano" - com efeito, os socialistas já anunciaram que apelarão no dia 29 a votar contra a FN nos múltiplos duelos que se preveem desde partido com a UMP e seus aliados. O ex-presidente, Nicolas Sarkozy, chefe da UMP, conta com um bom resultado para consolidar a sua liderança e relançar o seu movimento, que continua muito dividido e embrenhado em permanentes querelas e guerras internas.



Possível remodelação governamental




Os resultados da primeira volta deste domingo terão uma leitura nacional e certamente consequencias ao nível do poder central. Manuel Valls empenhou-se pessoalmente na campanha eleitoral e será sem dúvida um dos grandes derrotados se forem confirmadas as tendências para que apontam as sondagens.



No caso de se verificarem resultados catastróficos para o PS, já se evoca em Paris uma nova remodelação governamental. Pelo seu lado, a FN pede a demissão de Valls, que participou em diversas ações de campanha por todo o país para apoiar as listas socialistas. Em todos os seus discursos, o chefe do Governo elegeu o partido de Marine le Pen como o inimigo principal a abater. "Temos de travar a extrema-direita, tenho medo que a França se estilhace já em 2017 (ano de eleições presidenciais) contra a Frente Nacional", disse o franco-espanhol. 



Também muito divididos (tal como a UMP), os socialistas colocaram em surdina as divergências durante a campanha eleitoral e esperam pelos resultados destas departamentais para definirem posições ao nível da vida interna no PS.



Os críticos de Manuel Valls, liderados por Martine Aubry, ex-chefe do Partido, exigem mudanças - "à esquerda" - na orientação do Governo e não tardarão a lançar um contra-ataque na perspetiva do próximo Congresso do PS, marcado para o mês de junho. Algumas fontes socialistas indicam que François Hollande estará já a estudar uma remodelação governamental que se poderia saldar pela entrada de críticos socialistas e de ecologistas no executivo.