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Dor. Medo. Revolta

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REUTERS

Bloqueios de estradas e saques são a resposta de muitos nepaleses à chegada tardia de ajuda.

Dor. Medo. Revolta. São estes três sentimentos que marcam a população do Nepal, que tenta voltar pouco a pouco à rotina, mas que sente tristeza por aqueles que partiram e que não sai das ruas com receio de novas réplicas. As vítimas não param de aumentar: pelo menos 5093 morreram e 10.260 ficaram feridas, de acordo com o mais recente balanço das autoridades. 

Segundo o coordenador das Nações Unidas para o Nepal, Jamie McGoldrick, a maioria das equipas estrangeiras de socorro continuam em Katmandu, liderando as operações a partir da capital. Alerta, contudo, que esta etapa só deverá durar mais três dias.

"Há uma janela de sete a nove dias, no máximo, para salvar pessoas. Estamos no quarto dia. A partir de sábado as operações entram numa nova fase", afirmou Jamie McGoldrick.

Entretanto, a falta de mantimentos leva os nepaleses ao desespero. Cerca de 200 pessoas bloquearam as ruas na capital, na terça-feira, desencadeando confrontos com a polícia. Por outro lado, 27 pessoas foram detidas na sequência de saques a casas abandonadas, após o envio de mensagens com falsos alertas sobre um novo sismo.

"Temos fome, não temos nada para beber. Nem conseguimos dormir. Eu tenho um filho de sete anos que está a passar a noite na rua. Está a ficar frio e arriscamo-nos a apanhar uma pneumonia", relatou à Associated Press um habitante, que acusa o Governo nepalês de não estar a fazer o suficiente.

Biscoitos nutritivos para as regiões remotas 

Quatro dias após o abalo, os mantimentos começam a chegar esta quarta-feira ao centro do país. No entanto, nos locais remotos continua a faltar água e alimentos.

"Continuam a não chegar mantimentos as regiões mais remotas. A solução é enviar biscoitos com elevado teor nutritivo para as áreas onde não há água suficiente para cozinhar", explicou Geoff Pinnock, do Programa Alimentar Mundial, da ONU.

A ONU estima que o sismo tenha afetado cerca de 8,1 milhões de pessoas, o que torna difícil atender com rapidez a todas as necessidades.

"Em circunstâncias normais, um governo terá capacidade para responder a talvez 10, 20 ou 30 mil pessoas com necessidades. Mas estamos a falar de 8 milhões, pelo que será necessário um pouco mais de tempo para tudo", acrescentou o responsável.

As Nações Unidas anunciaram, entretanto, que vão fornecer assistência alimentar a 1,4 milhões de pessoas afetadas pelo sismo.