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Dois manifestantes mortos a tiro no Burundi

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Segundo testemunhas locais, a polícia recorreu a canhões de água, gás lacrimogéneo e, em alguns casos, a balas reais, para dispersar a multidão.

Thomas Mukoya/Reuters

Manifestantes e forças policiais envolveram-se em confrontos em vários bairros da capital do Burundi, depois de o partido de Pierre Nkunruziza o ter anunciado como candidato às próximas eleições presidenciais.

Helena Bento

Jornalista

Duas pessoas foram este domingo mortas a tiro em Bujumbura, no Burundi, durante os protestos contra a candidatura do presidente Pierre Nkurunziza a um terceiro mandato.



Manifestantes e forças policiais envolveram-se em confrontos em vários bairros da capital do Burundi. Segundo testemunhas locais, a polícia recorreu a canhões de água, gás lacrimogéneo e, em alguns casos, a balas reais, para dispersar a multidão e evitar o acesso ao centro da cidade.

Vários manifestantes ficaram feridos e elementos da polícia foram atingidos por pedras.

"Apelamos para a realização de protestos pacíficos e era isso que estava a acontecer, mas a polícia e as milícias do partido no poder dispararam balas reais contra os manifestantes", afirmou Frodebu Leonce Ngendakumana, um dirigente da oposição, citado pela AFP.

Grupos civis, críticos e outros opositores, citados pela Reuters, condenam a candidatura do presidente, que consideram "inconstitucional", e pode, defendem, "reacender os tumultos", dez anos após ter sido assinado um acordo que trouxe a paz ao país, assolado pela guerra civil que opôs hutus e tutsis.

Apoiantes de Pierre Nkurunziza defendem, por outro lado, que o seu primeiro mandato não deve ser tido em conta, visto que o presidente foi eleito pelo parlamento e não por voto popular.

A candidatura às próximas eleições presidenciais, previstas para 26 de junho deste ano, foi anunciada pelo seu partido, o CNDD-FDD (Conselho Nacional para a Defesa da Democracia/Forças para Defesa da Democracia).

Quando a notício veio a público, o presidente pediu calma até às eleições. E deixou, além disso, um aviso: "Quem quiser criar problemas com o partido que se encontra no poder, eleito pelas pessoas, vai ter também problemas", referiu, citado pela Reuters.

Com a aproximação do congresso que irá formalizar a candidatura, as autoridades locais decidiram proibir qualquer manifestação no país. 

Líderes africanos e países ocidentais apelaram ao presidente para não se candidatar novamente. Os Estados Unidos e a União Europeia ameaçaram avançar com medidas punitivas caso a violência aumente no país.