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Dois cartonistas turcos condenados por insultos a Erdogan

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A capa da revista satírica "Penguen" com o cartoon polémico

DR

A sentença de quase um ano de prisão foi convertida em multa pelo tribunal de Istambul.

Um tribunal turco condenou dois cartonistas a onze meses e 20 dias de prisão por terem alegadamente insultado o presidente do país Tayyip Erdogan, com a publicação de um cartoon na revista satírica "Penguen", em agosto passado. 

O cartoon mostra o recém-eleito Erdogan a entrar no Palácio Presidencial e a comentar a "fraca recepção", enquanto cumprimenta um dos seus funcionários. "Ao menos podíamos ter chacinado um jornalista", lê-se na ilustração.

O tribunal de Istambul converteu a sentença aplicada aos cartoonistas Bahadir Baruter e Ozer Ayodan numa multa de cerca de €2.500. 

Segundo a procuradoria, um cidadão particular terá também apresentado queixa por considerar que o homem que se vê na ilustração a cumprimentar Erdogan une ofensivamente o polegar com o indicador. O gesto é frequentemente usado na Turquia para insultar homossexuais e estaria, neste caso, direcionado ao Presidente.

Os advogados de Erdogan exigiram que o tribunal punisse os cartonistas por "insultarem uma autoridade pública". A "Penguen" afirma que os cartonistas foram processados por causa do diálogo e também pelo gesto. Os cartonistas, por seu lado, negaram as acusações, afirmando que não tiveram intenção de ofender o Presidente.

Erdogan já tinha processado a "Penguen" em 2005, quando exercia as funções de primeiro-ministro, por a revista o ter comparado a vários animais. O caso foi arquivado em 2006.

Dezenas de pessoas foram processadas e condenadas na Turquia por terem alegadamente insultado o atual Presidente através das redes sociais, verbalmente e em cartoons.