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Dilma chorou na cimeira do Mercosul, onde a aproximação EUA-Cuba foi festejada

"Estou-me emocionando, viu Pepe?", desabafou Dilma para o homólogo uruguaio. "Seu legado ultrapassa as fronteiras do Uruguai e da América Latina e será sempre fonte de inspiração para todos nós", disse a Presidente brasileira

JUAN MABROMATA/AFP/Getty Images

Presidente do Uruguai e o Papa Francisco foram homenageados durante a cimeira económica da América do Sul. "Estou-me emocionando, viu?", disse Dilma.

Márcio Resende, em Buenos Aires

A histórica retoma do diálogo entre os Estados Unidos e Cuba depois de 53 anos de corte de relações diplomáticas, marcada esta quarta-feira pela libertação de três prisioneiros cubanos nos EUA e de um norte-americano em Cuba, foi recebida com alegria pelos presidentes sul-americanos que homenagearam de forma emotiva o Presidente uruguaio, José Mujica. 

O chefe de Estado do Uruguai tinha anunciado em março que receberia presos de Guantánamo, mas que, em troca, pedira a Washington que libertasse também três cubanos e um porto-riquenho. E que Obama suspendesse o embargo a Cuba.

Na semana passada, seis ex-prisioneiros de Guantánamo chegaram ao Uruguai e Mujica já tinha dado pistas de que poderia haver novidades sobre o seu pedido nesta semana.

Antes de encerrar o seu discurso na Cimeira do Mercosul na cidade argentina de Paraná, 500 quilómetros a Norte de Buenos Aires, a Presidente brasileira Dilma Rousseff  homenageou Mujica, que deixará o cargo a 1 de março. "Quero dirigir-me muito especialmente ao companheiro Pepe Mujica para manifestar a minha alegria pelo privilégio de tê-lo conhecido e pelo seu convívio. Minha emoção por contar com a sua amizade", disse Dilma Rousseff, com lágrimas nos olhos. "Estou-me emocionando, viu Pepe?", desabafou. "Seu legado ultrapassa as fronteiras do Uruguai e da América Latina e será sempre fonte de inspiração para todos nós", concluiu, enquanto Pepe Mujica era aplaudido de pé.

A Presidente argentina, Cristina Kirchner, destacou o "momento histórico". "Mandamos uma imensa saudação e expressamos todo o nosso respeito ao povo cubano e ao seu governo que soube manter os seus ideais e hoje, com absoluta dignidade, normaliza a suas relações com os Estados Unidos". 

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, próximo dos irmão Castro, referiu-se a Mujica em relação a Cuba: "Estamos muito felizes. É uma vitória da moral, da ética, de Pepe e de Fidel (Castro)". Maduro também valorizou a decisão do Presidente Barack Obama: "Há que reconhecer o gesto de Obama. Foi um ato de valentia".  

Mujica, o grande homenageado e fiel ao seu estilo humilde, não fez discursos sobre o assunto. Em março, explicara a razão por ser o Uruguai o primeiro país sul-americano em receber presos de Guantánamo. "Não o fazemos por dinheiro mas por princípio". 

Quanto ao Papa, que mediou negociações entre Washington e Havana, "o que hoje aconteceu é a melhor prenda de aniversário". O Papa Francisco completa esta quarta-feira 78 anos.