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Internacional

Dia da Independência traz festejos, ataques e humilhações

O dia da independência da Ucrânia foi comemorado em Kiev com uma parada militar

Gleb Garanich / Reuters

Enquanto em Kiev se festeja o Dia da Independência da Ucrânia, em Donetsk prisioneiros ucranianos desfilam sob a guarda de rebeldes pró-russos armados e as acusações da população. 

Este domingo, uma parada militar nas ruas de Kiev comemora o dia da independência da Ucrânia em relação à ex-União Soviética. Os festejos, segundo a Reuters, constituem uma atitude de desafio à Rússia.

"[O país está a combater] uma guerra contra agressões exteriores, pela Ucrânia, pela liberdade, pelas pessoas, pela sua independência", afirmou este domingo o presidente do país Petro Poroshenko numa mensagem dirigida a Moscovo, que Kiev considera responsável pelo conflito ucraniano.

"É certo que num futuro próximo, infelizmente, a Ucrânia estará debaixo de uma ameaça militar constante." E acrescenta: "Precisamos não só de aprender a viver com isto, mas também de estar sempre preparados para defender a independência do nosso país."

O presidente fez ainda uma promessa: reequipar o exército ao longo dos próximos anos, num investimento superior a 40 mil milhões de hryvnias (2,2 mil milhões de euros).

Festa em Kiev, humilhação em Donetsk

Em Donetsk, bastião dos rebeldes pró-russos no leste do país, quase 50 prisioneiros de guerra ucranianos desfilaram pelas ruas da cidade em direção à praça central de Lenine. Sujos e de cabeça baixa, eram levados por guardas pró-russos armados e seguidos por carros de lavar as ruas, que deitavam água após a sua passagem - numa atitude que, segundo a Reuters, parecia pretender indicar que estes homens eram pouco limpos.

Os habitantes de Donetsk dirigiam-lhes palavras revoltadas e acusações, como "Fascistas!", "Assassinos" ou "Queriam vir para cá, aqui estão". Estas eram algumas das frases que podiam ser ouvidas à passagem dos prisioneiros, que acabaram por entrar em dois autocarros com destino desconhecido.

Cercada há mais de um mês pelas forças governamentais ucranianas e sob domínio dos separatistas pró-russos, Donetsk tem sido um dos locais onde as tensões entre os pró-Moscovo e Kiev se materializam mais. Durante a manhã de domingo, vários bombardeamentos foram efetuados pelos ucranianos em direção a Donetsk atingindo um hospital no centro da cidade. Apesar de tudo, não foram registadas vítimas.

Diálogo à vista?

Os recentes acontecimentos não constituem um bom presságio para a resolução do conflito, explica a Reuters, com base em informações de vários diplomatas. Vladimir Putin e Petro Poroshenko irão estar presentes, esta terça-feira, na cimeira de Minsk (capital da Bielorrúsia) naquela que poderia ser a melhor oportunidade de resolver um conflito que tem vindo a minar as relações entre o Ocidente e a Rússia.

Ainda assim, nada está garantido: os comunicados russo e ucraniano em relação à presença na cimeira sublinham que estão previstos "vários encontros bilaterais", sem especificar. Assim, não garantem que se realizem conversações no sentido de terminar o conflito - que adquiriu maior intensidade desde fevereiro, quando os protestos na praça central de Kiev forçaram o então presidente ucraniano Ianukovich a deixar o país.