Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Depois de Ferguson, Staten Island

Uma manifestante segura um cartaz, em Nova Iorque, com as fotografias de Eric Garner e Michael Brown, entre outros homens negros mortos pela polícia

Eduardo Munoz / Reuters

O Grande Júri de Staten Island irá decidir, esta quarta-feira, se o agente da polícia Daniel Pantaleo será acusado e julgado pela morte do negro Eric Garner. Depois de Ferguson, voltará a repetir-se a história?

O cenário repete-se: um polícia branco mata um homem negro, desarmado, e o Grande Júri terá que decidir se existiu ou não crime. Desta vez, a história não se passa em Ferguson, no Missouri, mas em Staten Island, Nova Iorque. No papel de Darren Wilson está Daniel Pantaleo e a vítima não é Michael Brown, mas Eric Garner.

As duas vítimas são afro-americanas. Brown tinha 18 anos quando foi morto por Wilson. Garner tinha 43. Também ele pôs as mãos no ar antes de morrer, uma atitude que ficou como símbolo dos protestos que começaram em Ferguson após a decisão de não julgar Wilson, alastrando ao resto do país e tendo ecos no estrangeiro. Enquanto em Ferguson o único registo do acontecimento assentava nos depoimentos de Wilson e das testemunhas, em Staten Island uma testemunha gravou o episódio com o telemóvel.

No vídeo, gravado a 17 de julho, vêem-se vários polícias a deter Eric Garner, um homem com registo criminal, suspeito de venda ilegal de cigarros. Um deles aproxima-se, deita-o ao chão e imobiliza-o pelo pescoço, apesar de Garner gritar várias vezes: "Não consigo respirar! Não consigo respirar!"

O instituto médico legal de Nova Iorque declarou que a causa da morte foi "a compressão do pescoço e do peito contra o chão". O facto de Eric ter asma, obesidade e hipertensão arterial pode ter contribuído para a morte.

A família Garner disse, há uns meses, que a questão racial não deveria ser um fator de decisão, mas os recentes acontecimentos em Ferguson têm aumentado a preocupação de novos incidentes.