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Demite-se o procurador-geral espanhol

Torres-Dulce ficou conhecido por reclamar continuamente autonomia do Ministério Público em relação à Catalunha, pedindo em todas as oportunidades meios e mudanças legislativas

Carlos Alvarez/Getty Images

Eduardo Torres-Dulce demitiu-se esta quinta-feira do cargo de procurador-geral do Estado espanhol, alegando razões pessoais. Membros do Governo já tinham questionado a sua atuação, alegando que não defendia os interesses do Estado na Catalunha. 

A Procuradoria-Geral do Estado espanhol anunciou em comunicado, esta quinta-feira, que Eduardo Torres-Dulce apresentou a sua demissão ao ministro da Justiça, Rafael Catalá, por "razões pessoais". O comunicado afirma ainda que Torres-Dulce regressará ao seu cargo anterior no Tribunal Constitucional.  

Após quase três anos de mandato, Eduardo Torres-Dulce renuncia ao cargo depois de ter protagonizado fortes tensões tanto com o anterior ministro da Justiça, Alberto Ruiz-Gallardón, como com o atual, Rafael Catalá.  

Torres-Dulce ficou conhecido por reclamar continuamente autonomia do Ministério Público em relação à Catalunha, pedindo em todas as oportunidades meios e mudanças legislativas. Vários membros do Governo já tinham questionado a atuação do procurador-geral, alegando que não defendia os interesses do Estado espanhol na Catalunha.  

Em novembro passado, a última vez que se apresentou perante o Parlamento espanhol, Torres-Dulce afirmou que nunca teve a intenção de ser procurador-geral para favorecer o Governo, referindo uma queixa da Procuradoria contra a liderança do governo regional catalão por ter organizado um sucedâneo de referendo à margem da lei.

A queixa foi adiada por duas semanas devido a divergências entre a Procuradoria-Geral e a procuradoria catalã, embora a oposição e os partidos independentistas tenham pressionado Torres-Dulce para acusar os líderes catalães. "Nunca tolerei que o Governo me dissesse o que tenho que fazer", declarou Torres-Dulce na última comparência no Parlamento.