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Debate aceso com deputados leva ministro brasileiro da Educação a demitir-se

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O ministro disse a Dilma Rousseff que não podia mudar de opinião, mas garante sair "feliz e tranquilo"

Ueslei Marcelino/ Reuters

Cid Gomes esteve na Câmara dos Deputados para resolver uma polémica anterior, mas reiterou a opinião de que muitos parlamentares têm um comportamento incoerente. Ouviu chamarem-lhe palhaço, saiu a meio ofendido, e acabou por se demitir, para poupar "constrangimentos" a Dilma.

A imprensa brasileira fala em "demissão relâmpago", e assim foi. Entre a conturbada presença na Câmara dos Deputados do ainda ministro da Educação brasileiro, Cid Gomes, marcada por uma acesa troca de declarações, e a apresentação do seu pedido de demissão, não terão passado mais de 30 minutos. Dilma Rousseff já o aceitou.



Em causa está a polémica em torno de uma afirmação de Cid Gomes, acusando "400, 300 deputados" de serem "achacadores" (termo usado para alguém conhecido por extorquir dinheiro ou por recebê-lo de ladrôes).



No início de março, os deputados convocaram o ministro, exigindo explicações e um pedido formal de desculpas. Mas o ministro foi na quarta-feira ao plenário para reafirmar que há deputados na Câmara que se comportam de maneira incoerente e partidos que fragilizam intencionalmente o Governo, como forma de pressionar para terem mais visibilidade - um recado para o principal partido da base aliada do Governo, o PMDB.

Quem não vota com o Governo "deve largar o osso", sintetizou.

Os ânimos aqueceram ainda mais, com Cid Gomes a abandonar o plenário a meio, alegando ter sido ofendido, depois de um dos deputados lhe ter chamado "palhaço".



O ministro chegou a pedir respeito, mas teve o microfone cortado pelo presidente da Câmara, conta a "Folha de São Paulo: "A palavra está assegurada ao orador. Vossa Excelência [Cid Gomes] nem parlamentar é para interromper a fala do orador que está na tribuna".



Irritado, à saída Cid Gomes garantiu que permaneceria como ministro enquanto Dilma desejasse. "A Presidente resolverá o que fazer. O lugar é dela, sempre foi dela, e eu aceitei [o convite para ser ministro] para servir, porque acredito nela", disse aos jornalistas.



Acabou por lhe fazer chegar o pedido de demissão. Explicou a Dilma que não poderia mudar de opinião no que aos partidos e ao comportamento dos deputados diz respeito, mas que tinha consciência de que a sua permanência no ministério causaria constrangimento. Numa declaração final, disse ainda estar "feliz" e "tranquilo"



Cid Gomes era titular da pasta da Educação há apenas três meses. Antes cumpriu dois mandatos como governador do Ceará. Filiado até 2013 no Partido Socialista Brasileiro, deixou o PSB para apoiar a candidatura de Dilma à reeleição.