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Debate a sete vozes no Reino Unido

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O único debate com os principais candidatos às legislativas realiza-se hoje às 20h. Não foi fácil conseguir o acordo e, com sete participantes em duas horas, teme-se que o tempo seja escasso

Nigel Farage vai ganhar o debate desta noite para as legislativas britânicas de 7 de maio. Pelo menos é o que diz a Ladbrokes. A casa de apostas, que também prevê que o próximo bebé dos príncipes William e Kate se chamará Alice, paga 6/4 (ou seis libras por cada quatro apostadas) se o líder do eurocético UKIP (Partido da Independência do Reino Unido) vencer a disputa.

Seguem-se, para a Ladbrokes, o trabalhista Ed Milliband (3/1), o primeiro-ministro conservador David Cameron (7/2), a nacionalista escocesa Nicola Sturgeon (8/1), o vice-primeiro-ministro liberal (12/1), a nacionalista galesa Leanne Wood (20/1) e a ecologista Natalie Bennett (25/1). Mas uma sondagem do instituto YouGov indica que o público espera que Cameron vença a contenda. Que, como o leitor terá reparado, se disputa a sete vozes.

Parecem muitas? São-no, e pelo menos os unionistas da Irlanda do Norte também queriam estar no debate, que se realiza hoje das 20h às 22h e é transmitido na ITV. Além de responderem a perguntas do público, que não leram antes, os candidatos também debaterão temas em blocos de 18 minutos. Ou seja, se descontarmos a intervenção dos moderadores e as perguntas, cada um deve poder falar dois minutos sobre cada assunto.

Um debate a saca-rolhas 

Poderá haver quem diga que com sete púlpitos não se debate coisa alguma. Mas a exigência de ter todos estes líderes em estúdio foi de Cameron, que rejeitou o formato das eleições anteriores (2010), que passou por três debates a três (conservadores, liberais e trabalhistas). É preciso recordar que as últimas legislativas foram as primeiras em que houve debates televisivos, que não eram tradição no Reino Unido.

Há cinco anos Cameron venceu sem maioria absoluta - de onde a coligação com Clegg - e a ala mais direitista do partido criticou-o por ter aceite debater com o então primeiro-ministro Gordon Brown (trabalhista) e com o líder dos liberais. Isto porque, se a superioridade telegénica de Cameron face a Brown foi evidente, o facto é que Clegg se saiu muito bem. Brown e Cameron foram gozados por terem passado um dos debates a dizer "I agree with Nick" e alguns conservadores acharam que isso lhes custou a maioria.

Desta vez, e depois de ter admitido vários debates com formatos diferentes, incluindo a dois, Cameron recuou. Caiu por terra um acordo entre os vários canais, que já tinham até distribuído as emissões entre si. O primeiro-ministro ainda chegou a exigir que qualquer debate fosse realizado em março, mas, após acusações de cobardia e fuga à discussão, aceitou a data de 2 de abril. 

Nem pensar num frente-a-frente 

Talvez Cameron tenha pensado que, a sete, tudo se dilui. O primeiro-ministro foi, de resto, perentório em rejeitar um frente-a-frente com Miliband, apesar de as suas prestações oratórias serem, regra geral, melhores do que as do trabalhista. Ainda assim, a escolha que fez obrigá-lo-á a enfrentar o carismático Farage - cujas intervenções enquanto eurodeputado fazem furor no YouTube - e Sturgeon, primeira-ministra da Escócia, cujo Partido Nacional Escocês está em alta nas sondagens e poderá ser decisivo para a próxima maioria de governo.

Além do debate desta noite, haverá um, a 16 de abril, apenas para opositores (isto é, com o mesmo elenco de hoje exceto Cameron e Clegg) e vários programas de entrevistas separadas aos líderes. O Channel Four realizou um na semana passada, com Cameron e Miliband a responder a questões do público e de um pivô. No dia 30 - uma semana antes da votação - acontecerá o mesmo com Cameron, Miliband e Clegg). No tinteiro ficou a proposta dos diários "The Daily Telegraph" e "The Guardian", com a Google, de organizar um debate com todos, a transmitir na Internet.