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Coreia do Norte é o principal suspeito do ataque informático à Sony

O regime de Kim Jon-un (na imagem) é apontado como causador desta ataque informático, por causa do filme "A Entrevista", no qual um famoso apresentador de TV norte-americano e o seu produtor estão envolvidos num plano para assassinar o Presidente norte-coreano por ocasião de uma entrevista em Pyongyang

Ed Jones/AFP/Getty Images

Uma semana depois do ataque que permitiu a cópia de cinco filmes por estrear e deitou abaixo o sistema informático da Sony Pictures, o governo de Kim Jong-Un é o principal suspeito de um novo ataque. Em causa estará um filme cuja história recai sobre um plano para assassinar o líder da Coreia do Norte.  

Os sistemas informáticos da Sony Pictures foram invadidos por um grupo de hackers na semana passada. Uma caveira vermelha e a frase "invadidos por #GOP" figuravam nos ecrãs de computador da produtora japonesa, deitando todo o sistema abaixo e permitindo o download de informações confidenciais e de, pelo menos cinco, filmes ainda não estreados comercialmente.

O FBI está a investigar o ataque dos "Guardiões da Paz" ou GOP - como o grupo de hackers se autoproclama, que se destaca pelo uso de um sistema capaz de destruir dados. O malware por eles utilizado dificulta a recuperação de documentos e pode apagar programas e componentes do sistema operacional para que o computador fique inutilizável.

As principais suspeitas recaem sobre a Coreia do Norte, uma vez que os indícios apontam para uso de software criado naquele país. Três investigadores independentes citados pela AP garantem existir ligações da Coreia do Norte ao ataque, embora ressalvem ser ainda difícil confirmá-lo.

Tom Kellermann, porta-voz da Trend Micro, uma empresa informática japonesa que opera nos Estados Unidos, diz que existe "uma série de semelhanças com o código usado em março e junho do ano passado num ataque da Coreia do Norte à Coreia do Sul".

Em causa estará o filme "A Entrevista", protagonizado por Seth Rogen e James Franco, no qual um famoso apresentador de televisão norte-americano e o seu produtor estão envolvidos num plano para assassinar o Presidente norte-coreano Kim Jong-Un, por ocasião de uma entrevista em Pyongyang.

Se o governo norte-coreano estiver envolvido neste ataque, será através de um grupo dos mais talentosos especialistas em informática daquele país, escolhidos a dedo para este tipo de trabalhos. "É um prenúncio de uma nova era de hackers, o que vai ser muito problemático", acrescenta Kellermann.

Segundo a revista "Time", que chegou à conversa com um diplomata norte-coreano, o país alvo de acusações não nega os ataques, dizendo apenas que "as forças hostis têm relacionado todos os problemas à Coreia do Norte. Mas eu aconselho a esperarem para ver".

Na sequência do ataque, o FBI lançou um alerta de cinco páginas onde detalhava os pormenores deste ataque, aconselhando todas as empresas a entrarem em contacto se se identificassem com alguma situação por eles descrita.

O FBI ainda não prestou declarações sobre o assunto. Já a Sony garantiu à agência Reuters que "restaurou um número considerável de informações" e que está a "trabalhar de perto com autoridades para investigar o caso".