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Copiloto recebeu tratamento por "tendências suicidas" anos antes de se tornar piloto

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Um momento de homenagem às vítimas

A informação é avançada pelo porta-voz dos procuradores de Düsseldorf, responsáveis pela investigação da queda do voo da Germanwings, que lembram no entanto que os tratamentos ocorreram "anos antes" de Lubitz obter a licença de voo.

O porta-voz dos procuradores de Düsseldorf, Ralf Herrenbrueck, disse esta segunda-feira que Andreas Lubitz, copiloto do voo da Germanwings que se despenhou nos Alpes franceses, já tinha recebido tratamento de psicoterapia devido a "tendências suicidas", anos antes de se tornar piloto. 

"Não há nenhuma prova que mostre que o copiloto estava para fazer o que parece que fez", acrescentou Herrenbrueck, citado pelo site da BBC. Segundo a investigação que está a ser feita, não há nada "na vida pessoal e profissional [de Lubitz] que nos permita dizer alguma coisa sobre os motivos".  

Ao avançar a informação de que Lubitz recebeu tratamento por tendências suicidas, é também explicado que desde que o copiloto obteve a licença de voo não foram detetadas "nem tendências suicidas, nem agressividade contra terceiros", assegurou esta segunda-feira o procurador Christoph Kumpa, citado pelo "El País". 

O porta-voz afirmou ainda que não há documentação que comprove que Lubitz sofria de alguma doença, ao contrário do que tem sido avançado em relação a um possível problema de visão que o copiloto teria.     

Na semana passada, foi também avançado que Lubitz estaria de baixa por problemas psicológicos (não confirmados ao Expresso pelo Hospital de Düsseldorf). Entretanto, em entrevista ao jornal alemão "Bild", a sua namorada revelou que Andreas estaria a atravessar uma crise emocional com o fim do relacionamento.  

Os últimos minutos

Ainda durante o fim de semana, o jornal alemão "Bild" revelou o conteúdo da gravação da caixa negra, ao qual teve acesso. As gravações dão conta que dois minutos depois de o comandante Patrick Sondheimer ter saído da cabina, o avião começou a diminuir a sua altitude.

Seria às 10h32 (9h32 em Lisboa) que os controladores aéreos tentariam pôr-se em contacto com o avião. Não obtiveram, no entanto, nenhuma resposta. É nesse momento que se ouvem pancadas na porta. Provavelmente com consciência de que o avião estava a diminuir altitude, o comandante tenta entrar no cockpit e grita: "Por amor de Deus, abre a porta!".

Minutos depois (10h35 hora local, menos uma em Lisboa) escuta-se um ruído forte "metálico" contra a porta do cockpit, que não ficou determinado. O jornal alemão, citado pelo espanhol "La Vanguardia", aponta para a possibilidade de o comandante tentar dar machadadas na porta com algo metálico. Um minuto depois, o comandante grita: "Abre a maldita porta!". Depois disso, é o silêncio, escutando-se apenas a respiração de Andreas, que as autoridades francesas definiram como "calma". 

Cerca de 200 investigadores continuam no terreno à procura de respostas para a queda do avião, que provocou a morte de 150 pessoas. 

As equipas francesas e alemãs estão a trabalhar em estreita colaboração  - além dos elementos que prosseguem as operações nos Alpes franceses, um grupo de investigadores procura em Düsseldorf eventuais provas, efetuando buscas nas casas do copiloto e dos pais e ouvindo os relatos de familiares, da namorada e de amigos.

 

[notícia atualizada às 15h44]