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Internacional

Congresso cria entrave para Obama chegar a acordo com o Irão

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"Queremos uma interação construtiva com o mundo e não uma confrontação”, afirmou o Presidente iraniano Hassan Rouhani

Site da presidência iraniana/EPA

A aprovação de um projeto de lei que estipula que o Congresso norte-americano irá pronunciar-se sobre um acordo com o Irão na exploração nuclear já mereceu uma declaração do Presidente iraniano transmitida na televisão do seu país. 

"Nós queremos negociar com os principais poderes, não com o Congresso", afirmou o Presidente iraniano Hassan Rohani, comentando na televisão do seu país o projeto de lei, aprovado terça-feira por unanimidade, que estipula que a instituição norte-americana irá pronunciar-se sobre um acordo que o Presidente Barack Obama venha eventualmente a aprovar sobre a exploração nuclear que levante as sanções económicas ao Irão.



"O que o Senado dos Estados Unidos diz, ou o que a Casa dos Representantes quer, ou o que os extremistas nos Estados Unidos estão à procura, ou o que os mercenários dos Estados Unidos na região dizem, não tem nada a ver com o nosso Governo ou com o nosso povo. (...) Queremos uma interação construtiva com o mundo e não uma confrontação", afirmou ainda Rohani, considerando que a alteração legislativa será um problema doméstico norte-americano.

Durante meses, o Presidente Obama tentou evitar o acordo entre republicanos e democratas que levou a esta decisão.

De acordo com as novas regras, caso Obama chegue a acordo com o Irão, o Congresso terá 30 dias para se pronunciar, e, caso a decisão seja favorável, só posteriormente poderá ocorrer o levantamento de sanções ao Irão.



Mas mesmo que o Congresso rejeite o acordo numa "resolução conjunta de desaprovação", o Presidente norte-americano ainda terá a possibilidade de vetar essa decisão e os analistas consideram que deverá conseguir reunir 34 votos no Senado que possibilitem que a sua decisão prevaleça.

Pré-acordo até ao fim do mês

Embora não deva ser impeditiva da concretização do acordo, a mudança veio a criar mais uma entrave num processo que já era de difícil condução.

"Se eu fosse um negociador iraniano, eu chegaria à sala e diria 'vocês disseram-nos sempre que iriam travar a legislação", afirmou Richard Nephew, antigo negociador norte-americano atualmente na Universidade de Columbia, em declarações à agência Reuters.



"Será fatal? Não. Mas tornará a coisas muito mais difíceis, muito mais complicadas, muito mais difíceis para o lado de negociação [dos Estados Unidos]", acrescentou.



As negociações que estão a ser conduzidas sobretudo entre os Estados Unidos e o Irão envolvem também a Grã-Bretanha, China, França, Alemanha e Rússia.



Segundo o calendário negocial, um acordo preliminar deveria ser alcançado este mês e o acordo final até 30 de junho.