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Confrontos em Istambul após morte de procurador e sequestradores

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FOTO REUTERS

Centenas de pessoas saíram às ruas de Istambul na terça-feira depois de a polícia ter morto os dois sequestradores de Mehmet Selim Kiraze, um procurador que investigava a morte do jovem de 14 anos Berkin Elvan - que foi atingido com uma bomba de gás lacrimogéneo durante as manifestações antigovernamentais em 2013. Magistrado também acabou por falecer durante assalto das autoridades.

Depois de uma maratona negocial de mais de seis horas para tentar libertar o procurador turco Mehmet Selim Kiraz, que foi feito refém na terça-feira no Palácio de Justiça Caglayan, em Istambul, a vítima e os dois sequestradores acabaram por morrer durante o assalto das autoridades. Logo chegou a indignação popular. Centenas de pessoas saíram às ruas para protestar, envolvendo-se em confrontos com a polícia, refere a Reuters.

Mehmet Selim Kiraz, procurador que investigava a morte de Berkin Elvan, um jovem de 14 anos - que foi atingido com uma bomba de gás lacrimogéneo durante as manifestações contra o Governo de Recep Tayyip Erdogan em 2013 -, foi sequestrado por um grupo de homens armados do Partido-Frente de Libertação Popular Grupo Marxista Revolucionário (DHKP-C) como retaliação pela morte do manifestante.

Numa fotografia divulgada no Twitter via-se Mehmet Selim Kiraz sentado numa cadeira com uma pistola apontada à cabeça com a boca amordaçada com um lenço, com um dos sequestradores ao lado que mostrava o documento de identificação do procurador.



Os sequestradores exigiam que os agentes da polícia que atingiram o jovem turco admitissem o assassínio numa "confissão em direto", sendo depois julgados. Colocavam ainda como condição saírem em segurança do Palácio da Justiça protegidos pelas autoridades. 

O DHKP-C tem sido responsável por uma série de assassínios e ataques à bomba, incluindo o assalto fatal à embaixada norte-americana.

Após cerca de nove meses de coma, Berkin Elvan acabou por falecer no ano passado num hospital de Istambul, não resistindo aos ferimentos devido ao impacto da bomba de gás lacrimogéneo.

 

Na altura, centenas de turcos já tinham saído para as ruas para protestar contra  a morte do jovem, sendo travados pela polícia de choque.



Já o magistrado Mehmet Selim Kiraz investigava o caso da morte de Berkin Elvan há cerca de meio ano. A população criticou a atuação das autoridades turcas durante os protestos, depois de o Presidente Recep Tayyip Erdogan defender que entre os manifestantes antigovernamentais se encontravam "terroristas".