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Confissão sobre assassínio de Nemtsov deverá ter sido forçada

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Tatyana Makeyeva/Reuters

Zaur Dadayev, o ex-agente das forças especiais chechenas que admitira o seu envolvimento no assassínio do destacado opositor russo Boris Nemtsov, afirmou que foi forçado a confessar. Um membro do Conselho Russo para os Direitos Humanos, que o visitou na prisão, diz que tem marcas no corpo que sugerem que terá sido torturado.

O ex-agente das forças especiais chechenas que admitira ter estado envolvido no assassínio de Boris Nemtsov "deverá ter confessado sob tortura", declarou esta quarta-feira um membro do Conselho do Kremlin para os Direitos Humanos que o visitou na prisão.

Zaur Dadayev - que numa entrevista publicada esta quarta-feira no jornal russo "Moskovski Komsomolets" disse que confessou por ter sido espancado e ameaçado - apresentava marcas no corpo que apontam para que tenha sido torturado, segundo declarou Andrei Babushkin, o elemento da instituição do Kremlin que o visitou conjuntamente com uma jornalista.

"Há motivos que nos levam a acreditar que Zaur Dadayev confessou sob tortura (...). Nós não pudemos confirmar que ele foi torturado, uma vez que não somos investigadores, mas nós encontrámos diversas feridas no seu corpo", declarou à agência France Presse.

Além de as marcas no seu corpo indicarem que terá permanecido algemado e espancado na cabeça e nas pernas, Dadayev disse aos dois visitantes que foi torturado com eletricidade e apelou para que pessoas "não envolvidas com a investigação" analisassem o seu caso.

O membro do conselho e a jornalista visitaram o suspeito na sua cela apenas para conferirem as condições em que se encontra detido e não estavam sequer autorizados a inquiri-lo sobre a investigação criminal de que é alvo.

Cinco pessoas detidas

O ex-agente das forças especiais chechenas foi detido na passada sexta-feira na República de Ingushetia e acusado de autoria do assassínio.

A juíza Natalia Mushnikova anunciou na terça-feira que ele confessara o seu envolvimento no assassínio, decretando a sua prisão preventiva e dos seus quatro alegados cúmplices, entre os quais se encontra o seu amigo Anzor Gubashev, que trabalhava para uma companhia privada de segurança.

Na entrevista concedida ao jornal russo, Dadayev disse que confessou por ter sido espancado e ameaçado pelos agentes que o prenderam, que lhe terão prometido que libertariam o seu amigo.

"Estive dois dias com algemas nas mãos, grilhões nos pés e um saco de plástico na cabeça. A toda a hora, gritavam-me: 'Tu mataste Nemtsov? Eu não dizia não (...). Aceitei. Pensei que assim o deixariam a salvo e chegaria vivo a Moscovo", afirmou.

Boris Nemtsov, o destacado opositor de Vladimir Putin que foi vice-primeiro-ministro durante o regime de Boris Ieltsin, foi morto a tiro quando caminhava acompanhado da namorada ucraniana próximo do Kremlin, a 27 de fevereiro, depois de ter dado uma entrevista a uma rádio em que expressou o seu apoio a uma manifestação que iria decorrer em Moscovo.