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Conferência Courrier Internacional: Mais do que militarmente, o Estado Islâmico terá de ser derrotado politicamente

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Getty

A instabilidade política no Iraque e a guerra civil na Síria criaram condições propicias para o crescimento do autodenominado Estado Islâmico (Daesh), que dispõe atualmente de recursos humanos e materiais muito apelativos, considerou a investigadora Ana Santos Pinto, na 3ª conferência dos 10 anos do Courrier Internacional, esta quinta-feira na Universidade de Évora.

O Daesh tem estado a procurar construir um "proto-Estado", efetuando um controle sobre um território e a subjugação das populações, aproveitando a instabilidade política, que se seguiu à queda do regime de Saddam Hussein, e a guerra civil na Síria, surgida no âmbito das Primaveras Árabes, considerou Ana Santos Pinto, professora da Universidade Nova de Lisboa e investigadora do Instituto Português de Relações Internacionais e do Instituto de Defesa Nacional.



Falando como principal oradora da conferência sobre o "Estado Islâmico" - que teve lugar estar quinta-feira na Universidade de Évora, no âmbito das comemorações dos 10 anos da edição portuguesa do Courrier Internacional - a especialista em questões do Médio Oriente considerou que para se travar o Daesh será preciso uma "solução não primeiramente militar, mas política alargada".



Ao contrário da Al Qaeda, o Daesh tem se afirmado como um "movimento de massas" e as estimativas apontam para que conte atualmente com 30 mil operacionais, ao que somam inúmeros simpatizantes à escala global, e graças a múltiplas fontes de financiamento (que passam pela exploração petrolífera) movimenta cerca de 2 milhões de dólares por dia.



Recursos humanos e materiais que a investigadora considerou serem muito apelativos para que outros movimentos islamitas se juntem ao Daesh, na sua tentativa de criar um califado.



Ana Santos Pinto disse que para travar o seu crescimento será necessário, simultaneamente, limitar as suas capacidades e estabilizar a região, dando lugar a regimes menos sectários, que representem as diferentes comunidades.

Podemos estar "a assistir a uma redefinição" do mapa do Médio Oriente

A mapa dos Estados Nações criados pela influência ocidental no Médio Oriente após a Primeira Grande Guerra foi apresentado como um dos antecedentes do problema.

"Aquilo que se passou a seguir à Primeira Guerra Mundial teve um impacto brutal no Médio Oriente. Deu-se uma mudança completa de paradigma com a criação de alguns Estados", afirmou por seu turno Fernando Branco Correia, docente da Universidade de Évora.



Santos Pinto disse que podemos estar "a assistir a uma redefinição desse mapa".



O problema passa pela não identificação dos diferentes grupos com as fronteiras e as estruturas desses Estados.



Algo que o Daesh soube reverter a seu favor utilizando a Internet como uma nova forma de mobilização à escala global.



Para Rui Cardoso, editor executivo do Courrier Internacional, o grupo soube criar o Jihad John como espécie de marca comercial, "uma versão do papão da Internet", que ajudou a alimentar a estratégia de aterrorização do grupo.