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Internacional

Como o Estado Islâmico recruta no Afeganistão

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É mais uma confirmação do que muita gente temia: o mais temível dos grupos radicais islâmicos está a entrar no país onde Bin Laden vivia em 2001.

Luís M. Faria

Jornalista

A cadeia televisiva CNN divulgou um vídeo em que mostra uma sessão de recrutamento do autodenominado Estado Islâmico (Daesh). Aspeto especialmente inquietante é que as imagens foram obtidas no Afeganistão. Já no ano passado havia sido dado o alerta para a infiltração do Daesh nesse país, mas o vídeo traz uma prova nítida da naturalidade com que o fenómeno acontece.

Os homens no vídeo (só há homens) têm todos a cara oculta. Aquele que se encontra de pé conta que regressou da Síria e fala-lhes da obrigação que têm de se juntar à luta. A certa altura, aparecem uns formulários de recrutamento com o cabeçalho do Daesh.

A CNN conta que um dos homens alvo de recrutamento pensava inicialmente que ia para uma sessão de outro grupo e só depois percebeu de quem realmente se tratava. No Afeganistão, na Síria, no Iraque, no Iémen e também noutros países em África e na Ásia, as insurreições envolvem um mosaico de grupos diferentes que se vão reconfigurando e às vezes fundindo - e cujos militantes passam com frequência de um grupo para outro.

Assim acontece na Síria e no Paquistão, por exemplo. Os talibãs, além de incluírem várias fações (incluindo o Khorosan, um grupo que atua na Síria), têm estado a perder militantes para o Daesh, o que na prática inviabiliza quaisquer negociações com o governo. As suas perdas representam uma oportunidade para outros grupos e obrigam-nos a serem ainda mais radicais, para não perderem terreno na disputa por recrutas. 

O presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, que se encontra de visita aos EUA, pediu aos norte-americanos para manterem as suas tropas no país mais algum tempo. Segundo explicou à CNN, "o colapso do Iémen, da Síria e do Iraque criou um ambiente em que, em vez de um elo fraco num sistema interrelacionado de estados, temos agora vastos espaços". Espaços onde uma organização como o Daesh, disciplinada e com amplas disponibilidades financeiras, tem todos os meios para espalhar a sua mensagem.