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Expresso

Internacional

Cimeira do Clima condenada ao fracasso

John Kerry faz um discurso apaixonado sobre a urgência de um acordo na Cimeira do Clima, em Lima, Peru

Enrique Castro-Mendivil/Reuters

Os quase 200 países presentes limitaram-se a definir compromissos individuais, mas não chegaram a consenso sobre um acordo global para reduzir as emissões até 2020.

A Cimeira do Clima das Nações Unidas, que decorre desde 1 dezembro em Lima, no Peru, chega ao último dia sem que os 196 países tenham ainda chegado a um acordo relativamente às alterações climáticas.

A 20ª Conferência tinha por objetivo substituir o já ultrapassado Protocolo de Quioto de 1997 (o primeiro e, até à data, o único tratado jurídico internacional que pretendia limitar as emissões de gases com efeito de estufa dos países desenvolvidos), e assentar as bases para um novo acordo global com vista a reduzir as emissões até 2020, e que os países estão obrigados a assinar em março do próximo ano em Paris.

A Conferência chega, assim, ao último dia sem um acordo final. E nem o discurso apaixonado do secretário de Estado norte-americano, John Kerry, conseguiu resolver o impasse. Kerry disse aos negociadores que o mundo "segue um rumo que conduzirá à tragédia" e que um acordo ambicioso "não é uma opção, mas uma necessidade urgente". 

As quase duas centenas de países presentes focaram-se na definição de compromissos individuais para cada nação contra o aquecimento global, enquanto o novo acordo de Paris foi passado para segundo plano. Espera-se no entanto que, nas horas de negociação que restam, seja possível chegar a um consenso.

"A um só dia do final parece que os negociadores se esqueceram que estão aqui para resolver uma emergência planetária. Os esforços para reduzir emissões até 2020 (data em que a ciência assegura que se têm que reduzir drasticamente as emissões) parecem estar totalmente fora das preocupações dos políticos", declarou Roberto Troya, diretor do World Wide Fund for Nature da América Latina e Caribe, segundo o jornal "El País".

As diferentes exigências de países desenvolvidos e de países em desenvolvimento têm contribuído para a ausência de um acordo final. Os países em desenvolvimento exigem aos países desenvolvidos compromissos na redução de emissões e contribuições financeiras que os auxiliem a enfrentar o aquecimento global, enquanto, por sua vez, os países desenvolvidos se comprometem a auxiliar mas não querem que o montante nem a forma como o dinheiro será recebido se inclua por escrito no acordo.