Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

CIA admite que métodos para interrogar suspeitos da Al-Qaida eram "repugnantes"

Brennan recusou utilizar a palavra "tortura" nas suas declarações

Reuters/Larry Downing

O diretor da agência de informações norte-americana reconhece que não estavam preparados para prender e interrogar suspeitos da organização terrorista.

A CIA não estava preparada para prender e interrogar suspeitos da Al-Qaida após os atentados de 11 de setembro de 2001, e os métodos de interrogatório utilizados foram "repugnantes", disse hoje o diretor da agência de informações norte-americana (CIA).

"A CIA navegou em terreno desconhecido, não estávamos preparados. Tinhamos pouca experiência na detenção de prisioneiros e poucos agentes estavam formados para conduzir interrogatórios", disse o diretor da CIA, John Brennan durante uma conferência de imprensa.

O responsável dos serviços de informações norte-americanos fazia referência ao relatório da Comissão sobre Serviços de Informação do Senado dos Estados Unidos, divulgado na terça-feira, onde se conclui que as técnicas de interrogatório CIA "foram ineficazes" e "brutais e bem piores do que foi descrito pela CIA" aos membros do Congresso.

Nas suas declarações, o chefe da CIA também admitiu "ser impossível saber" se a tortura utilizada contra presumíveis membros da al-Qaida permitiu recolher informações válidas para impedir futuros atentados, antes de reconhecer que os "interrogatórios coercivos" podem produzir "falsas informações".

Brennan - que nas suas declarações recusou utilizar a palavra "tortura" -, assegurou no entanto que as técnicas de interrogatório eram "legais" quando foram aplicadas, disse que alguns agentes "saíram do quadro que lhes foi fixado" e sublinhou que a CIA promoveu numerosas "reformas" para evitar a repetição deste género de derivas.

No período de perguntas e respostas numa conferência de imprensa inédita, o diretor dos serviços de informações dos EUA também negou que a agência tenha enganado a opinião pública e os responsáveis políticos, como sugere o relatório emitido na terça-feira pela Comissão do Senado.