Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

China deporta artista que protestou em Tiananmen

Guo Jian terminou uma obra de arte sobre a repressão sangrenta ocorrida a 4 de junho de 1989

Reuters

Guo Jian foi detido pela polícia chinesa após ter prestado declarações ao "Financial Times" a propósito dos 25 anos do massacre de Tiananmen.

O artista sino-australiano Guo Jian, que foi detido em Pequim dias antes do 25.º aniversário dos protestos de Tiananmen e que estivera presente na manifestação pró-democracia em 1989, será deportado para a Austrália após 15 dias sob custódia.

A informação foi avançada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Austrália, que garantiu prestar todo o apoio consular ao ativista durante a detenção.

"Percebemos que o senhor Guo ficará detido durante 15 dias e depois vai ser-lhe pedido que abandone a China", afirmou fonte do ministério, citada pela BBC.

Guo Jian, de 52 anos, foi detido pela polícia chinesa dois dias depois de o "Financial Times" ter publicado um artigo com o seu testemunho sobre os 25 anos do massacre de Tiananmen, em que revelava ainda que tinha terminado uma obra de arte sobre a repressão sangrenta ocorrida a 4 de junho de 1989.  No entanto, o Governo chinês garante que o artista foi detido devido a "problemas com o visto".

As autoridades chinesas tinham pedido para os ativistas não prestarem declarações à imprensa e aos jornalistas para não escreverem artigos sobre a efeméride, numa altura em que se assistiu ao aumento da censura no país.

 

Três ativistas libertados

Nas últimas semanas e antes da passada quarta-feira, dia da efeméride, vários ativistas - advogados, jornalistas, estudantes e artistas - foram detidos pela polícia numa tentativa de evitar manifestações relativas à passagem do 25.º aniversário dos protestos de Tiananmen.

Vários sites que mencionavam o massacre também foram bloqueados e o acesso ao Google ficou condicionado.

Entretanto, na quinta-feira foram libertados três ativistas detidos há cerca de um mês devido a um encontro sobre os protestos pró-democracia em Tiananmen, após os apelos dos EUA e da União Europeia. Os escritores Liu Di e Hu Shigen e o investigador da Academia Chinesa de Ciências Sociais, Xu Youyu, foram libertados sob fiança, após terem sido acusados de "causarem tumultos". Dois outros ativistas que marcaram presença na reunião continuam, contudo, detidos.

A 4 de junho de 1989, os estudantes chineses manifestaram-se de forma pacífica na Praça de Tiananmen, apelando a uma reforma democrática. Mas depressa a ação foi reprimida, o que resultou num massacre perpetrado pelo exército, com uma estimativa de centenas de mortos e feridos nunca confirmada pelas autoridades.