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Internacional

China constrói pista de aterragem militarizada nas ilhas Spratly

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Francisco Acedillo, advogado e antigo piloto aviador, junto de uma imagem de revela a construção da pista de atreragem para fins militares que a China está a executar nas ilhas Spratly

Romeo Ranoco/Reuters

Imagens de satélite revelam que os trabalhos de construção da pista com fins militares decorrem no recife Fiery Cross, no Mar da China Meridional, que foi coberto de areia para criar uma ilha artificial de 2,4 quilómetros quadrados. 

Helena Bento

Imagens de satélite divulgadas esta quinta-feita pela revista "Jane's Defence Weekly" revelam que a China tem feitos rápidos progressos na construção de uma pista de aterragem com fins militares, no território disputado das Ilhas Spartly.

Situadas no Mar da China Meridional, as ilhas são alvo de uma disputa territorial que opõe a China a outros países asiáticos, como Filipinas, Vietname, Malásia, Brunei e Taiwan. Segundo as imagens obtidas, os trabalhos de construção decorrem num recife, Fiery Cross, que foi coberto de areia para criar uma ilha artificial de 2,4 quilómetros quadrados.

O mesmo relatório sugere ainda que a China pretende aumentar a extensão de outra pista de aterragem nas ilhas Paracel, localizadas mais a norte. O documento é apresentado um dia depois de o comandante americano Samuel Locklear ter afirmado que a China, que se afirma detentora de grande parte da área que ocupa o Mar da China Meridional, poder eventualmente instalar radares e sistemas de mísseis nos postos militares que tem estado a construir, os quais podem vir a ser usados para impor uma zona exclusiva.

O senador norte-americano John McCain considera que estes movimentos levados a cabo por Pequim são "agressivos", e que a administração de Obama deve reagir e tomar medidas no sentido de disponibilizar mais recursos militares para a região da Ásia, cooperando com os países afetados pela China.

Para o senador, a modernização militar da China não tem outro objetivo senão constituir uma força de oposição aos Estados Unidos, e que Washington terá de trabalhar muito para manter a vantagem militar na Ásia-Pacífico, afirma, citado pela Reuters.

"Quando qualquer nação ocupa cerca de 240 hectares de terra e constrói pistas de aterragem, sendo provável que esteja a desenvolver outras capacidades militares em águas internacionais, então torna-se claro que estamos perante uma ameaça à economia mundial", acrescenta o senador.

Também Barack Obama alerta para os perigos da militarização dos territórios disputados na Ásia. O Presidente dos Estados Unidos acusa a China de usar a sua "dimensão e força" para pressionar as nações mais pequenas.

China considera "natural" incluir instalações de defesa militar

Num seminário que decorreu esta quinta-feira em Washington, o embaixador da China nos Estados Unidos, Cui Tiankai, disse que era "natural" que os seus trabalhos de recuperação incluíssem instalações de defesa militar.

O embaixador disse ainda que não pode haver "ilusões de que alguém possa impor à China um estatuto unilateral" ou "violar repetidamente a soberania chinesa" sem que daí advenham as devidas consequências.

Numa aparente referência à atividade aérea dos Estados Unidos, Cui Tiankai referiu que a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (assinada em 1982), e da qual os Estados Unidos não são signatários, não reconhece seja a que nação for o direito de  "conduzir reconhecimento intensivo e próximo nas zonas económicas exclusivas de outros países".