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Expresso

Internacional

China bloqueia parcialmente acesso ao Gmail

A Google não foi o único alvo de censura na China. O Instagram e o Facebook também foram bloqueados

Jason Lee/Reuters

Após meses de interrupções intermitentes no acesso ao serviço, o Gmail foi bloqueado na China, na passada sexta-feira.

O Governo chinês terá bloqueado o acesso da população ao correio eletrónico do Google, através de serviços como o Apple Mail ou o Microsoft Outlook. O bloqueio teve início na passada sexta-feira, altura em que a intensidade do tráfego de servidores chineses caiu para zero. Por outro lado, o tráfego dos outros serviços do Google manteve-se inalterado, bem como o acesso ao Gmail noutros países. Os utilizadores que usem este serviço através de um endereço fora da China continuam a conseguir aceder.

Parece contraditório que o país com mais utilizadores de Internet seja também dos que tem uma política mais restrita de utilização da mesma (cibercensura). Os ativistas responsabilizam o sofisticado sistema de controlo das autoridades, normalmente designado por "Great Firewall" (grande cibermuralha), que filtra o conteúdo "indesejado".

O Governo chinês não fica por aqui. O Google não é o único serviço a ser censurado - a maior rede social do mundo, o Facebook, está também bloqueada; o Instagram, serviço de partilha de fotos, foi bloqueado neste outono, aquando das manifestações pró-democracia em Hong Kong.

Foi em junho que começaram as limitações ao serviço do Google, na tentativa de evitar manifestações a propósito do aniversário do massacre na Praça Tiananmen, ocorrido em Pequim em 1989. "Julgo que o Governo está a tentar ir mais longe para eliminar a presença do Google na China e enfraquecer a empresa no estrangeiro", disse à Reuters um membro do GreatFire.org.

 

Preocupação em Washington 

Em Washington, o Departamento de Estado norte-americano demonstrou alguma preocupação com estas atitudes do Governo chinês. "Encorajamos a China a ser transparente nas suas relações com empresas internacionais e a considerar as consequências destes atos", declarou à Reuters o porta-voz do Departamento de Estado, Jeff Rathke.  

Já a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Hua Chunying, afirma não saber nada sobre o bloqueio, acrescentando que o Governo está empenhado em proporcionar um bom ambiente de negócios aos investidores estrangeiros. "A China teve sempre uma atitude acolhedora e solidária para com os investidores estrangeiros que fazem negócios aqui. Vamos, como sempre, proporcionar um ambiente aberto, transparente e bom para as empresas estrangeiras na China".

Na quinta-feira passada, o "Red Flag", jornal do Partido Comunista, publicou um artigo que apelava a uma maior regulação e fiscalização do uso da internet na China. O artigo diz que as empresas estrangeiras estão constantemente à procura de formas de ajudar os utilizadores a contornar a censura e por isso é preciso responder com "medidas extremas".