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Internacional

Centenários marcados por tensões entre Arménia e Turquia

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Várias pessoas reuniram-se hoje na Turquia para comemorar o centenário da batalha de Gallipoli e homenagear as suas vítimas

Tristan Fewings / Getty Images

Com pompa e circunstância, a Turquia celebrou sexta-feira e sábado o centenário da batalha de Gallipoli. Arménia critica o Presidente turco pela antecipação das comemorações em um dia, acusando-o de tentar ofuscar o centenário do massacre de arménios, assinalado esta sexta-feira. 

"Quero reiterar em nome de todos, em memória de centenas de milhares de jovens que descansam nesta pequena península, a nossa determinação para assegurar a paz e a prosperidade no mundo", afirmou o Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, durante as comemorações do centenário da batalha de Gallipoli. Há 100 anos, a península turca foi alvo de uma batalha sangrenta, com início a 25 de abril de 1915, que originou a morte de milhares de soldados durante a Primeira Guerra Mundial, na sequência da tentativa de invasão da Turquia e captura do estreito de Dardanelos pelas tropas Aliadas. 

"Espero que Cankkale [Dardanelos] sirva de exemplo para o mundo inteiro (...), para transformar o nosso pesar comum num instrumento de promoção da fraternidade, amor e paz", bem como num "remédio contra o terrorismo, o racismo, a islamofobia e o ódio", continuou o chefe de Estado turco. 

As comemorações, que se iniciaram esta sexta-feira e continuam este sábado, contaram com a presença do primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, o neozelandês, John Key, o príncipe britânico Harry e o seu pai, Charles.  

No entanto, vários chefes de Estado e de Governo, como o Presidente russo, Vladimir Putin, e o francês, François Hollande, trocaram as comemorações turcas pelas arménias, viajando até Erevan, capital deste país do Cáucaso do Sul para homenagear os cerca de 1,5 milhões de arménios massacrados pelas forças do Império Otomano a partir de 24 de abril de 1915.  

Arménia critica Turquia

As cerimónias turcas tiveram início esta sexta-feira, um dia antes daquele em que celebra o centenário do desembarque dos Aliados britânicos, franceses, australianos e neozelandezes em Gallipoli. Essa antecipação foi fortemente criticada pelo Governo da Arménia, que acusou a Turquia de tentar ofuscar o massacre de 1,5 milhões de arménios, que assinalou esta sexta-feira o seu centenário. 

Entre os dois países existe uma guerra semântica em relação ao sofrimento dos arménios entre 1915 e 1917. Apesar de vários países do mundo classificarem este episódio como genocídio - palavra que este mês foi inclusivamente utilizada pelo Papa Francisco -, a Turquia não o reconhece. Na passada quinta-feira, o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu mostrou-se solidário em relação ao sofrimento dos arménios, continuando, no entanto, a recusar a palavra genocídio. 

O país de Erdogan considera que as mortes de arménios não foram resultado de um genocídio, mas de um período histórico de guerra civil, com perdas para os dois países.